20 de agosto de 2026 | REGIÃO DO SISAL

Mãe de criança autista de Lamarão denuncia falta de transporte adequado para tratamento multidisciplinar em Feira de Santana

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Uma mãe atípica do município de Lamarão procurou a reportagem para denunciar o que classifica como descaso da gestão municipal com seu filho, uma criança diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 3 de suporte, não verbal e que necessita de acompanhamento constante para realizar atividades básicas do dia a dia.

Segundo o relato da mãe, a família buscou no próprio município o acesso a um tratamento multidisciplinar adequado para a criança, mas não conseguiu atendimento. Diante da falta de estrutura e de profissionais disponíveis em Lamarão, foi necessário buscar o acompanhamento especializado em Feira de Santana.

O problema, segundo a mãe, teria se agravado no momento em que precisou solicitar um transporte adequado às necessidades específicas do filho. De acordo com o relato, a criança apresenta episódios de agressividade, crises de irritabilidade e necessita de suporte inclusive durante a alimentação, o que torna uma viagem em transporte coletivo convencional, com diversos pacientes, uma situação extremamente delicada.

Apesar das particularidades apresentadas, a família teria recebido como alternativa um ônibus compartilhado com outros pacientes, com saída prevista para as 5h da manhã, mesmo com o tratamento da criança marcado para um horário próximo ao meio-dia.

Para a mãe, além de representar um longo período de espera e permanência fora de casa, a situação desconsidera as necessidades específicas de uma criança que apresenta crises e necessita de acompanhamento individualizado.

Mães atípicas já enfrentam uma rotina de sobrecarga

A denúncia também expõe uma realidade enfrentada diariamente por mães e familiares de pessoas com deficiência e autismo que dependem do poder público para ter acesso a tratamento especializado.

A rotina dessas famílias envolve deslocamentos frequentes, consultas, terapias, acompanhamento médico, dificuldades financeiras e, muitas vezes, a necessidade de adaptar toda a vida familiar às necessidades da criança.

Quando o poder público não oferece estrutura adequada de atendimento e transporte, essa sobrecarga acaba sendo ampliada. No caso relatado, a mãe afirma que, depois de enfrentar a dificuldade para conseguir o tratamento fora do município, ainda precisa lidar com um transporte que, segundo ela, não considera as limitações e o comportamento do próprio filho.

Mãe diz que não foi ouvida e clama por socorro

A mãe afirma que procurou o órgão competente na tentativa de encontrar uma solução para o problema, mas relata que não se sentiu ouvida nem teve a demanda solucionada.

Diante da falta de resposta, decidiu procurar a reportagem para tornar pública a situação e pedir ajuda.

Ela clama por socorro e cobra da administração municipal uma solução que leve em consideração as necessidades específicas do filho, especialmente diante do diagnóstico de autismo nível 3 de suporte e da necessidade de acompanhamento multidisciplinar.

A situação levanta questionamentos sobre a responsabilidade da gestão municipal em garantir condições adequadas de acesso ao tratamento de crianças com deficiência. A falta de uma política de transporte compatível com as necessidades desses pacientes pode transformar um direito básico, como o acesso à saúde, em mais uma fonte de sofrimento para famílias que já enfrentam uma rotina de extrema sobrecarga.

A reportagem deixa o espaço aberto para que a Prefeitura de Lamarão e os órgãos responsáveis pelo transporte e pela saúde se manifestem sobre a denúncia, esclareçam quais medidas são adotadas para atender pacientes com necessidades específicas e informem se haverá uma solução para o caso.

redação