7 de março de 2026 | REGIÃO DO SISAL

Violência doméstica se multiplica na região sisaleira; Em apenas três dias, sete casos são registrados em cinco municípios com nenhum agressor sendo preso

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O fim de semana foi marcado por uma série de ocorrências de violência doméstica registradas em diferentes cidades da região sisaleira da Bahia. Entre os municípios com casos atendidos pela Polícia Militar estão Serrinha, Itiúba, São Domingos, Barrocas e Candeal. As situações, enquadradas na Lei Maria da Penha, revelam um cenário de agressões físicas, ameaças e descumprimento de medidas protetivas, que continuam a colocar em risco a vida e o bem-estar de mulheres na zona urbana e rural do território.

Em Serrinha, duas ocorrências chamaram atenção. No bairro da Vaquejada, um casal foi conduzido à Delegacia após uma discussão que terminou em agressões mútuas. Ambos apresentavam lesões corporais. Em outra localidade da cidade, no bairro Abóboras, uma mulher relatou ter sido ameaçada de morte pelo companheiro, que estaria sob efeito de drogas e portando uma arma de fogo. O suspeito chegou a ser localizado e levado à Delegacia, mas o registro não foi efetivado por falta de testemunhas, e o homem acabou liberado.

Em Itiúba, duas ocorrências foram registradas no povoado de Taquari. No primeiro caso, uma mulher denunciou ter sido brutalmente agredida pelo companheiro com socos, pontapés e até um pedaço de madeira. O agressor fugiu antes da chegada da polícia. No segundo registro, a mesma vítima procurou novamente as autoridades, relatando que o ex-companheiro descumprira uma medida protetiva ao se aproximar de sua residência. O homem não foi encontrado nas diligências realizadas.

Já em São Domingos, uma mulher de 64 anos foi socorrida ao hospital municipal após ser agredida. A vítima relatou o episódio às autoridades, mas o agressor não foi localizado. Ela foi orientada a formalizar o boletim de ocorrência na delegacia local.

Em Barrocas, uma jovem de 19 anos acionou a polícia após ser agredida pelo marido no povoado de Malhada Redonda. O suspeito fugiu antes da chegada da viatura. Temendo novas agressões, a vítima foi escoltada até a casa da mãe, onde recebeu orientações sobre os próximos passos legais.

Outro episódio foi registrado em Candeal, na comunidade de Beira de Cerca. Uma mulher denunciou ter sido agredida pelo companheiro, que fugiu do local ao saber que a polícia havia sido acionada. Os agentes realizaram buscas nas proximidades, mas não conseguiram encontrá-lo. A vítima recebeu orientações sobre medidas protetivas e foi acolhida por familiares.

As ocorrências registradas entre os dias 3 e 5 de outubro reforçam a persistência da violência doméstica na região e a dificuldade das vítimas em garantir proteção imediata. Apesar dos esforços policiais, a ausência de testemunhas, a impunidade na fuga de agressores e a demora nos trâmites legais continuam sendo entraves no combate a esse tipo de crime.

A Lei Maria da Penha, sancionada há mais de 18 anos, prevê punições rigorosas para quem comete violência contra a mulher, além de medidas protetivas de urgência. No entanto, os casos recentes mostram que a efetividade da legislação ainda depende de uma rede de apoio mais eficiente, capaz de acolher e garantir segurança às vítimas em situação de vulnerabilidade.

Se você sofre ou presenciou violência doméstica, denuncie. Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou 190 (emergência policial). O anonimato é garantido.