Proprietários e instrutores de autoescolas realizaram um protesto nesta quinta-feira (23) contra a proposta que prevê a possibilidade de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) sem a obrigatoriedade de formação em centros de ensino credenciados. Os profissionais alegam que a medida pode gerar desemprego em massa, além de comprometer a segurança no trânsito e prejudicar a qualidade da formação dos novos condutores. Em contraponto, muitos cidadãos têm se manifestado nas redes sociais e nas ruas, argumentando que os valores cobrados atualmente pelas autoescolas são abusivos e tornam o processo de habilitação inacessível para grande parte da população. Em alguns estados, o custo total para tirar a CNH pode ultrapassar três mil reais, considerando taxas, aulas e exames.
Protesto
A manhã começou com buzinaço e lentidão na Avenida Paralela, em Salvador. O protesto tomou uma das principais vias da capital baiana e provocou engarrafamento intenso nas imediações do Parque de Exposições. Os manifestantes são contra o projeto de lei que propõe o fim da obrigatoriedade das autoescolas para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O movimento, que vem ocorrendo em diversas cidades do país, reuniu profissionais do setor que alegam que a medida pode comprometer a segurança no trânsito e prejudicar a qualidade da formação dos novos condutores.
Segundo o Sindicato dos Instrutores e Empregados da Bahia (Siepae), a proposta pode gerar mais de 300 mil desempregos no setor em todo o país. Durante o ato, os manifestantes exibiram faixas e cartazes destacando a importância do ensino teórico e prático oferecido pelas autoescolas, além de alertarem para o risco de aumento nos acidentes caso a proposta seja aprovada.
Os instrutores afirmam que não querem virar autônomos e defendem a manutenção dos empregos com carteira assinada, salário fixo e benefícios garantidos pela CLT. Representantes da categoria afirmam que pretendem buscar diálogo com autoridades estaduais e federais para discutir alternativas que modernizem o processo de habilitação sem abrir mão da formação adequada.
O protesto teve início por volta das 8h da manhã e durou cerca de 20 minutos. A Transalvador informou que o trânsito já está normalizado. Agentes da Transalvador e da Polícia Militar acompanham a mobilização para tentar minimizar os impactos no trânsito, que segue no sentido Centro Administrativo da Bahia (CAB).
O que diz o povo?
Enquanto proprietários e instrutores de autoescolas protestam contra a proposta que permite a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) sem a obrigatoriedade de passar por autoescolas, parte da população vê a medida como positiva e necessária.
Muitos cidadãos têm se manifestado nas redes sociais e nas ruas, alegando que os valores cobrados atualmente pelas autoescolas são abusivos e tornam o processo de habilitação inacessível para grande parte da população. Em alguns estados, o custo total para tirar a CNH pode ultrapassar três mil reais, somando taxas, aulas e exames.
Para quem defende a proposta, o objetivo não é eliminar a importância do aprendizado, mas dar liberdade ao cidadão para escolher como deseja se preparar, seja com aulas particulares, por conta própria ou com instrutores independentes.
Moradores de diferentes regiões afirmam que a mudança pode democratizar o acesso à habilitação, especialmente para jovens e trabalhadores de baixa renda. “O que queremos é ter o direito de aprender e fazer as provas, sem precisar pagar valores tão altos”, comentou uma moradora favorável à proposta.
O debate segue dividido entre a defesa da segurança no trânsito, levantada pelas autoescolas, e a reivindicação popular por mais acessibilidade e liberdade de escolha no processo de habilitação.