A manhã desta quinta-feira (17) foi marcada por comoção e protestos silenciosos no centro de Serrinha. Um casarão centenário, conhecido como chalé da família Franco, começou a ser demolido após mais de 100 anos como parte da paisagem urbana. A estrutura, em estilo neoclássico, foi construída em 1915 por João Eustáquio da Silva e adquirida em 1923 por Jovino Alves Franco, tornando-se residência de gerações da tradicional família Franco.
Localizado ao lado da Igreja Nova, o casarão era um marco afetivo para muitos moradores. A demolição, autorizada pelos atuais proprietários após a venda do imóvel, deve abrir espaço para um novo empreendimento comercial. A notícia, no entanto, caiu como uma bomba nas redes sociais e despertou um intenso debate entre os que defendem a preservação da memória e os que argumentam em favor do progresso urbano.

“Meu Deus, doeu meu coração, meu sonho de infância era conhecer o interior dessa casa”, desabafou uma internauta. Outro morador lamentou: “Entendo os donos, mas realmente bate uma tristeza em ver esse símbolo cair assim”. Do outro lado, vozes que justificam a derrubada: “Se fica abandonado, o melhor seria isso mesmo. Melhor que deixar do jeito que estava”.
O casarão era um dos últimos três exemplares do estilo neoclássico ainda preservados no interior baiano. A casa foi lar de Bráulio Franco, sua esposa Zilda e os quatro filhos do casal, todos nascidos entre aquelas paredes. Hoje, resta apenas o pó, os escombros e o sentimento de perda.
A falta de políticas públicas efetivas para o tombamento e preservação de bens históricos é apontada como a principal causa da fragilidade do patrimônio arquitetônico da cidade. “Não se pode culpar os proprietários, manter uma casa dessas custa caro e não há incentivo”, comentou um morador. Outro foi mais incisivo: “Isto é revoltante. Existem leis que impedem que a história de uma cidade seja jogada fora como lixo. Sr. prefeito, pode nos explicar por que isso está ocorrendo?”
Enquanto a especulação imobiliária avança sobre os traços antigos da cidade, outros casarões seguem abandonados, à venda ou em ruínas. O destino do chalé da família Franco pode ser apenas o primeiro de uma sequência. O alerta de um morador resume o sentimento coletivo: “Uma cidade sem passado é uma cidade sem futuro”.
Com informações de portal ailton pimentel.