A Câmara Municipal de Biritinga viveu, na noite desta quarta-feira (26), uma das sessões mais caóticas de sua história recente, uma mistura de disputa política, apagões, gritaria e reviravoltas que transformaram a eleição do novo Presidente em um verdadeiro colapso institucional. Depois de uma longa novela judicial, o plenário, enfim, conseguiu escolher seu novo presidente. Mas o caminho até lá foi um percurso de tropeços, brados, quedas de energia e um clima descrito por espectadores como “um deus nos acuda”.
Depois de recorrer na esfera judicial, o grupo político – que antes do falecimento do Presidente Joivan – era de união, sofreu uma cisão quando o então Rau da Funerária, assumiu o cargo, conforme noticiamos aqui com exclusivadade.
Confira as reviravoltas que aconteceram na eleição da Câmara Municipal desde maio de 2025
Dessa vez, tudo começou com a expectativa de uma votação tranquila, com candidatura única: o presidente interino, Andeson do Nascimento Santos (Rau da Funenária), seria o candidato único. Porém, como se o roteiro tivesse sido reescrito por um diretor de novela, o segundo secretário, Jaziel de Carvalho Sena (Nem de Zé Sena), surgiu com um documento em mãos e alterou todo o curso da noite.

“Estou protocolando aqui minha candidatura”, declarou, ao entregar o ofício pedindo exoneração do seu cargo de 2º secretário e registro imediato de candidatura à presidência. A ação aconteceu diante do prefeito Gil de Gode e do vice Daniel da Internet, que, ao presenciarem o movimento inesperado, deixaram o plenário imediatamente.
O clima esquentou de forma instantânea. Rau se exaltou, bateu na mesa, levantou da cadeira. “Isso é desrespeito!”, bradou, enquanto parte dos vereadores governistas se retirava. Àquela altura, a sessão já estava virando um circo, inclusive literalmente.
Em meio à confusão, um novo prenúncio de caos: as luzes da Câmara foram repentinamente desligadas. Houve um breve momento de escuridão e murmúrio assustado, seguido por batidas e gritos. Um dos presentes chegou a esbarrar com força em uma estrutura ao tentar se orientar no breu, aumentando a sensação de colapso dentro do ambiente.
A população, que já assistia indignada aos desdobramentos, irrompeu em gritos e protestos. Pessoas se levantaram, apontaram, reclamaram alto, a transmissão registrou o tumulto e comentários em choque se multiplicaram.
“Que vergonha! Nunca vimos isso!”, reclamavam vozes do público.
Quando as luzes voltaram e se tentava retomar algum fiapo de ordem, outro capítulo inusitado se desenrolou. Um vereador licenciado, aliado de Rau, apareceu de surpresa e, em tom autoritário, exigiu que seu suplente abandonasse a cadeira imediatamente.
“Levante agora! A cadeira é minha!”, gritou, sem qualquer ato de recondução publicado no Diário Oficial.
O suplente, humilhado diante da plateia, reagiu indignado, o que elevou ainda mais o nível da tensão. O público reagiu com mais gritos, expressões de revolta e críticas à forma grosseira da abordagem.
A tentativa de forçar a troca teve efeito contrário: inflamado pela situação, o suplente votou contra o grupo de Rau.

Com a saída dos governistas, restaram seis vereadores no plenário, número suficiente para quórum. O primeiro secretário assumiu a condução da sessão, e a eleição foi finalmente conduzida.
No final da conturbada votação, Jasiel (Nem de Zé Sena) foi eleito o novo presidente da Câmara de Biritinga por unanimidade.

Empréstimo de R$ 10 milhões é engolido pelo caos
A sessão, que ainda trataria da análise do empréstimo de R$ 10 milhões solicitado pelo prefeito, terminou dominada pelos episódios de confusão. A votação foi adiada novamente, soterrada pelos tumultos da noite.
A combinação de apagão, gritaria, bate-bate, autoridades saindo às pressas, documentos improvisados, vereador tentando reassumir na marra e uma população revoltada criou uma cena que moradores definiram como “um deus nos acuda político”.
E, no meio desse vendaval, emergiu um novo presidente: Nem de Zé Sena, eleito no apagar das luzes e sob os olhares de uma comunidade perplexa. Biritinga, nesta noite, descobriu que o caos também vota.