7 de março de 2026 | REGIÃO DO SISAL

Todas as formas de amor importam: O Dia das Mães e a potência de cada tipo de mãe

CA72D400-FB41-497A-BE77-70015018E1A5

Neste Dia das Mães, é impossível ignorar a pluralidade que existe na maternidade. Em um país tão diverso como o Brasil, a figura da mãe vai muito além do retrato tradicional e romantizado. Mães trans, mães de pet, mães atípicas, mães adotivas, mães solo, mães negras, indígenas, jovens ou idosas, todas elas vivem desafios únicos, mas compartilham algo em comum: o amor incondicional e a dedicação em cuidar, proteger e formar vidas.

A maternidade trans e o direito de ser reconhecida
IMG-20240510-WA0472

Um dos casos mais emblemáticos da região sisaleira da Bahia, aconteceu em serrinha. Onde uma mãe trans deu à luz na cidade. Rayane, mulher trans, e Gabriel, homem trans, viveram uma experiência rara e histórica ao trazer ao mundo um bebê biológico. Rayane carregou a gestação, desafiando estigmas sociais e barreiras institucionais para exercer sua maternidade.

Em entrevista ao Portal Massapê, Rayane relatou que enfrentou olhares julgadores, preconceito e a invisibilização de sua identidade de gênero durante todo o pré-natal. Mesmo sendo a mãe gestante, ela foi constantemente tratada pelo nome de registro masculino em serviços de saúde. Apesar disso, ela deixou claro: “Ser mãe é uma experiência de entrega e amor. É meu direito ser reconhecida como mãe do meu filho.”

O caso reacendeu discussões sobre o respeito à identidade de gênero nos serviços públicos e sobre o quanto ainda precisamos avançar no reconhecimento das diferentes formas de maternidade.

Mães qde pet: O amor sem espécie

Brenda, 32 anos, gaúcha vivendo na Bahia, é mãe de um pet que trouxe do Sul consigo. Sua história evidencia outra forma de vínculo maternal que, embora muitas vezes não seja levada a sério, envolve dedicação, cuidado e amor genuíno.

“Ter um pet é saber que sempre vai ter uma companhia; é saber que pode chorar, pois ele estará ali para te acalmar”, conta ela. Brenda ainda relata que, embora não tenha sofrido preconceito diretamente, percebe o julgamento velado sobre a legitimidade de sua maternidade. “A verdade é que esse preconceito só mostra que as pessoas consideram que só existe uma forma legítima de ser mãe, quando na verdade, a maternidade vai muito além da biologia.”

Para ela, ser mãe de pet é viver uma rotina de doação e reciprocidade, onde cada pequeno gesto, desde dividir o sofá até lidar com uma ida ao veterinário, é expressão de amor.

Mães atípicas: A construção diária do cuidado

Luciana Barros, mulher negra da periferia de Feira de Santana, teve sua primeira filha aos 18 anos. O que já seria uma maternidade repleta de desafios tornou-se ainda mais intenso quando sua filha foi diagnosticada com deficiência auditiva. Ela relata as cobranças da família, o preconceito social e a dificuldade de acesso a tratamentos especializados.

Durante anos, Luciana enfrentou madrugadas de viagem a Salvador para garantir o atendimento da filha. Sem estrutura de transporte adequado, ela viajava até em ambulâncias, junto a pacientes com doenças contagiosas. Mesmo diante de tudo isso, o maior obstáculo não foi físico, mas social: “Tudo que ela se propunha a fazer vinha sempre a frase: ‘É porque nunca tivemos a presença de uma criança surda aqui’”.

Luciana destaca a importância de entender acessibilidade como um acolhimento humano e não apenas estrutural: “as pessoas precisam se abrir para acolher e respeitar o diferente”. Hoje, com 25 anos, sua filha é uma mulher realizada. E Luciana, uma mãe que aprendeu a se construir na luta, na paciência e na recusa dos rótulos como “mãe guerreira”. “Não temos capa nem escudo. Queremos ser vistas, respeitadas e tratadas com dignidade.”

Maternidade é vínculo, não rótulo

O Dia das Mães precisa ser mais do que uma data comercial. Precisa ser um momento de reflexão e valorização real de todas as maternidades. Aquelas que gestam, que criam, que lutam, que sofrem preconceito, que adotam, que amam seres humanos ou não humanos, todas são mães. Cada uma com sua história, seus medos e sua força.

Enquanto a sociedade insistir em definir padrões rígidos sobre o que é ser mãe, continuará ignorando milhões de histórias de amor que se constroem todos os dias, fora da curva, fora da caixa, mas dentro do coração.

Que neste Dia das Mães, possamos olhar para todas essas mulheres com o respeito, a empatia e a valorização que merecem. Afinal, a maternidade não é um molde: é um laço, e cada laço é único, inquebrável e profundamente humano.