O dia era 7 de agosto de 1994. Para a história do clássico Ba-Vi, esta data marca o maior público do confronto. Noventa e sete mil tricolores e rubro-negros fizeram a festa na Fonte Nova, pela decisão do Campeonato Baiano daquele ano. Neste período, a presença da torcida mista nos estádios ainda não gerava debates.
A ocasião foi mais feliz para o lado tricolor, já que o Bahia se tornou campeão estadual com o famoso gol de Raudinei, aos 46 minutos do segundo tempo. No entanto, a lembrança mais saudosa é pela festa que as duas torcidas fizeram, deixando o estádio colorido para prestigiar o clássico.
Trinta e dois anos se passaram e a realidade agora é outra. Os clássicos em solo baiano acontecem apenas com torcedores do time mandante. Na segunda-feira (2), o presidente do Vitória, Fábio Mota, até tentou que tricolores e rubro-negros torcessem juntos na decisão do Baianão deste ano. Contudo, a vontade do executivo não gerou um retorno positivo por parte do Ministério Público da Bahia (MP-BA), que decidiu pela permanência de apenas uma torcida.
Aproveitamos a ocasião para relembrar momentos emblemáticos dentro do duelo, que seja pela provocação saudável ou por batalhas sangrentas, que ocasionaram na decisão de ter apenas um lado na arquibancada.
Ba-Vis históricos para torcida
Em um passado um tanto quanto distante, o fuzuê já foi grande. Goleadas e decisões já geraram reações de torcedores. O desempenho e provocações dentro de campo também já inflamaram quem estava lá para ver o Ba-Vi.
Revolta da caxirola
Em 2013, a Arena Fonte Nova estava sendo reinaugurada para as realizações das Copas do Mundo e das Confederações. Antes disso, as principais equipes baianas duelavam. O lançamento do estádio novinho em folha foi uma tristeza para o Bahia, que tomou uma ‘sapecada’ de 5 a 1. No clássico seguinte, em crise por não vencer há seis partidas, a torcida não aguentou.
Aos 41 minutos da etapa final, com o placar de 2 a 0 para o Vitória, os mandantes não aguentaram e começaram a atirar caxirolas – instrumento criado por Carlinhos Brown para o Mundial – em campo. Apesar da revolta, nada adiantou e o Bahia terminou derrotado por 2 a 1.

Diversas caxirolas foram atiradas ao campo| Foto: Reprodução/Internet
O protesto foi lamentado pelos técnicos Joel Santana, do Tricolor de Aço, e Caio Junior, do Leão. O comandante rubro-negro definiu a situação como “falta de educação de alguns torcedores”.
“Fiquei muito triste. Hoje era um jogo que a Fifa estava de olho. Foi uma decepção. O Carlinhos Brown esteve na Toca do Leão para promover a caxirola, que é um instrumento muito legal. Não pode acontecer isso. O europeu tem que vir pra cá e acreditar que a Copa vai acontecer sem problemas. Foi muito triste o que aconteceu aqui hoje”, disse Caio Junior, à época.
Ba-Vi da Paz
Os ânimos já estavam mais esquentados em 2018. Após seis jogos com apenas um lado tendo torcedores no estádio, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) liberou a torcida mista, após as forças de segurança pública autorizarem.
Na ocasião, foram propostas diversas campanhas de conscientização para que as torcidas não brigassem. Jogadores se reuniram no meio do campo, frases como “clássico da paz” foram espalhadas por vários cantos do estádio, mas não adiantou muita coisa.
Os jogadores não internalizaram muito bem o conceito e caíram na porrada, após o meia Vinicius dançar em provocação à torcida do Vitória. Diversos atletas foram expulsos ao ponto do jogo terminar por W.O e o Bahia sair vencedor.
Brigas da torcida
Desde 2018, a porradaria entre os torcedores deu fim à torcida mista no clássico Ba-Vi. De lá para cá, a decisão não evitou que diversos conflitos acontecessem.
São Sebastião do Passé
Cinco membros da Bamor, entre eles o então presidente da torcida, foram presos em São Sebastião do Passé, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), em fevereiro de 2019. Eles foram acusados de atropelar e espancar um torcedor do Vitória que usava a camisa da organizada rubro-negra.
Batalha de São Caetano
Em setembro de 2022, rolou a chamada batalha campal de São Caetano, no Largo do Argeral, a qual terminou em cenas de violência generalizada. Houve agressões com soqueiras e rojões, além de um carro que teria avançado de forma proposital contra pessoas que estavam no local. Três torcedores do Bahia ficaram gravemente feridos e 53 pessoas acabaram detidas.
Pancadaria em Nazaré
Em um bairro próximo à Arena Fonte Nova, em Nazaré, um torcedor do Bahia foi atacado por quatro homens que estavam em um veículo, em janeiro de 2024. Segundo relatos, o grupo utilizou barras de ferro, pedaços de madeira, facas e soco-inglês durante a agressão.
Guerra em São Marcos
O torcedor do Vitória, Diego Bispo, foi violentamente agredido por integrantes da Bamor, no bairro de São Marcos, em agosto de 2024. Ele sofreu traumatismo craniano e precisou ser internado na UTI. Ainda no mesmo mês, outros dois membros da torcida organizada foram presos, suspeitos de espancar um rubro-negro no bairro de Nazaré.
Brigas continuaram
A polícia teve que trabalhar bastante em 2025. Em janeiro do ano passado, mais de 100 integrantes d’Os Imbatíveis foram pegos em Periperi após uma confusão generalizada com uso de pedras e paus horas antes de um jogo. Em março, rolou o maior quebra-pau com a mesma torcida, só que na Rótula do Abacaxi, quando arremessaram pedras em um veículo no dia de um Ba-Vi.
Tentativa de homicídio
Um grupo de aproximadamente 50 torcedores do Bahia tentou matar um homem, sem identificação de nenhum time, no bairro São Rafael, em 17 de janeiro deste ano. Nesta quarta (4), sete pessoas foram presas e um adolescente foi apreendido.
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