7 de março de 2026 | REGIÃO DO SISAL

Raio-x quebrado há sete meses trava liberações no DPT de Feira e amplia sofrimento de famílias; corpos precisam ser levados para Serrinha

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A dor do luto tem sido agravada por indignação e revolta entre famílias que dependem do Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Feira de Santana. Principal unidade da Macro Regional do Recôncavo, o órgão está há cerca de sete meses com o aparelho de raio-x fora de funcionamento, situação que tem provocado atrasos significativos na liberação de corpos, sobretudo em casos de mortes violentas.

Sem o equipamento em operação, procedimentos considerados essenciais na medicina legal passaram a depender de deslocamento. Corpos que necessitam de exames complementares, como a localização de projéteis ou fragmentos de arma branca, estão sendo transportados para o município de Serrinha. A medida emergencial, no entanto, tem gerado um efeito em cadeia, comprometendo prazos e prolongando o sofrimento de familiares que aguardam a liberação para velórios e sepultamentos.

“Pagamos nossos impostos e ainda temos que passar por isso. Depois de perder um familiar, somos obrigados a enfrentar mais esse desgaste. Muita gente acaba culpando a funerária, mas o problema é essa estrutura que não funciona”, relatou um familiar, que preferiu não se identificar.

O exame de raio-x é considerado peça-chave no trabalho pericial. Ele permite a localização precisa de projéteis e outros materiais metálicos sem a necessidade de incisões exploratórias, preservando a integridade do corpo. Além disso, o equipamento é fundamental para processos de identificação humana, possibilitando a comparação de arcadas dentárias, próteses e outros registros, método com alto grau de confiabilidade.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação do DPT na última sexta-feira (23) para obter esclarecimentos sobre a previsão de conserto do aparelho e a adoção de medidas paliativas que reduzam o tempo de espera das famílias. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno.

Enquanto isso, familiares seguem enfrentando atrasos e incertezas em um momento já marcado pela dor da perda, à espera de uma solução para um problema estrutural que se arrasta há meses.