O psicólogo Manoel Neto, de 32 anos, natural de Amargosa, foi encontrado morto na noite desta terça-feira (17) em Santo Antônio de Jesus. A informação está sendo amplamente divulgada pela imprensa regional e repercute na comunidade acadêmica e nos círculos de direitos humanos.
Horas antes de ser encontrado sem vida, Manoel havia publicado em suas redes sociais uma carta aberta relatando um episódio de racismo sofrido em um camarote durante o Carnaval de Salvador. No texto, ele descreveu uma situação em que, ao tentar transitar de uma área do evento para outra, teve seu pedido de “licença” ignorado repetidas vezes por um homem branco que bloqueava a passagem, como se ele “não existisse”. Segundo o psicólogo, apenas após reagir de forma mais firme conseguiu seguir o caminho.
Nas reflexões publicadas, Manuel destacou como o racismo pode se manifestar de maneira sutil, por meio da invisibilização e desumanização de pessoas negras, e criticou expectativas sociais injustas impostas a esse grupo.
O caso causou grande comoção entre amigos, familiares, colegas de trabalho e estudantes, especialmente pela atuação de Manoel no campo da psicologia e pelo seu compromisso com temas étnico-raciais. Em diversas redes sociais, a comunidade acadêmica lamentou a perda e reforçou a importância de ampliar o debate sobre racismo estrutural e seus impactos na saúde mental.
As circunstâncias exatas da morte ainda não foram oficialmente divulgadas pelas autoridades, que deverão apurar o caso. O sepultamento ocorreu na tarde desta quarta-feira (18) no Cemitério Municipal de Amargosa, onde familiares e amigos prestaram as últimas homenagens.
Em meio ao luto, especialistas e movimentos sociais ressaltam a necessidade de atenção à saúde mental e às consequências de situações de discriminação, especialmente em contextos de festa e convivência social como o Carnaval.
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