Pescadores da comunidade de Poço Grande, no município de Araci, na região sisaleira da Bahia, denunciaram nesta semana a ausência do pagamento do benefício do defeso e relataram ações que classificam como abusivas por parte da fiscalização durante o período de proibição da pesca. O alerta foi feito por um pescador da localidade, em vídeo que circula nas redes sociais e pede providências das autoridades competentes.
De acordo com o relato, a pesca está suspensa há dois meses e 17 dias, sem que o auxílio financeiro destinado aos pescadores tenha sido liberado. Segundo ele, além da falta de renda, trabalhadores da atividade estariam tendo embarcações e materiais de pesca apreendidos e até destruídos. “Não acho normal que se queime barco e material. O correto seria apreender, encaminhar à associação e, quando a pesca fosse liberada, devolver mediante multa”, afirmou.
O pescador destaca que a maioria dos profissionais depende exclusivamente da pesca para sobreviver e sustentar suas famílias. No depoimento, ele relata situações de extrema dificuldade, envolvendo pais de família com filhos pequenos, contas básicas em atraso e a proximidade do período de compra de material escolar. “Sem o benefício e com a pesca fechada, o pescador fica sem nenhum recurso. Como é que vai comprar comida, pagar energia, água ou garantir o estudo dos filhos?”, questiona.
Ainda segundo o denunciante, embora reconheça a importância da fiscalização ambiental, ele defende que eventuais irregularidades sejam tratadas dentro da lei, sem violência, humilhação ou prejuízos irreversíveis. O pescador chama atenção para o alto custo dos equipamentos, afirmando que uma embarcação pode chegar a R$ 3,5 mil, além do valor elevado dos materiais de pesca.
No vídeo, o trabalhador pede que o apelo chegue às autoridades estaduais e federais, incluindo o Governo Federal, e sugere mudanças na legislação para garantir mais transparência e proteção aos pescadores durante o defeso. Entre as propostas, ele defende que, caso o benefício não seja pago dentro de um prazo determinado, a atividade seja reavaliada para evitar que as famílias fiquem desamparadas.
O pescador finaliza solicitando que os órgãos responsáveis “tomem a frente” da situação e encontrem uma solução para o problema enfrentado pelos pescadores de Poço Grande e do município de Araci. Até o momento, não houve posicionamento oficial dos órgãos citados sobre as denúncias.