7 de março de 2026 | REGIÃO DO SISAL

No 15 de maio, Dia Nacional do Orgulho de Ser Transexual e Travesti, Léo Kret denuncia exclusão de pessoas trans: “Faltam oportunidades”

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Léo Kret, um dos maiores nomes da luta trans no Brasil, é destaque neste 15 de maio, Dia Nacional do Orgulho de Ser Transexual e Travesti. Soteropolitana de 41 anos, ela entrou para a história em 2008 ao se tornar a primeira mulher trans eleita vereadora no país, em Salvador. Antes da política, já quebrava barreiras como dançarina da banda Saiddy Bamba, desafiando o domínio masculino cisgênero no cenário do pagode baiano.

Com uma trajetória marcada por pioneirismo, resistência e ativismo, Léo Kret, que atualmente ocupar a Diretoria Geral da Secretaria Municipal de Reparação (Semur) na Prefeitura de Salvador, e afirmou que a data vai além da celebração.

É um grito de existência, resistência e dignidade. Eu, uma mulher trans, já sofri preconceito nos palcos, nas ruas, nas escolas e até dentro de casa. Essa data é uma forma de mostrar que estamos aqui lutado pelo nosso direito, que somos mulheres e homens trans potentes e que estamos aqui para contribuir pela Bahia e pelo Brasil, afirmou Léo Kret

Léo Kret se tornou a primeira vereadora trans do Brasil

Léo Kret se tornou a primeira vereadora trans do Brasil| Foto: Reprodução/Instagram Léo Kret

Questionada sobre os avanços em representatividade, especialmente pelo fato de ter sido a primeira mulher trans eleita no país, Léo Kret reconhece os progressos, mas também a chama atenção para o longo caminho que ainda precisa ser percorrido.

“Tenho orgulho de ser uma das pioneiras. Na minha época era muito difícil, mas com muita luta e resistência conquistei o meu espaço. Acho que têm muitas mulheres trans conquistando seus espaços como artistas e principalmente na política, mas ainda temos muito o que conquistar. Políticas públicas quer dizer tudo, e, que na prática, poucos fazem. A política é a abertura de todo o processo […] para mulheres trans, travestis e pessoas no estado de vulnerabilidade social extrema”, afirmou.

Pedido e denúncia

Ao falar sobre os maiores desafios enfrentados pela população trans no Brasil, Léo Kret citou que o básico ainda é negado e denunciou o preconceito institucional ainda presente no país.

Acesso à educação, ao mercado de trabalho e à saúde com dignidade ainda são os maiores desafios. Ainda hoje muitas pessoas são empurradas para marginalidade por não terem oportunidades básicas. O preconceito, muitas vezes institucional, ainda mata, seja por meio da violência direta ou do descaso. O que precisamos são políticas sérias, acolhimento real e que a sociedade enxergue a população trans com humanidade. Queremos viver com respeito e dignidade, concluiu.

Mapa da violência contra pessoas trans

A expectativa de vida da população brasileira é, em média, de 76,4 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, entre pessoas trans, essa média cai drasticamente. De acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), a expectativa de vida dessa população é de apenas 35 anos. O dado foi divulgado no primeiro semestre de 2023.

Ainda segundo o “Dossiê: Registro Nacional de Mortes de Pessoas Trans no Brasil em 2024: da Expectativa de Morte a um Olhar para a Presença Viva de Estudantes Trans na Educação Básica Brasileira”, o Brasil continua sendo o país que mais mata pessoas trans e travestis no mundo.

Esses assassinatos estão diretamente ligados a crimes de ódio, preconceito e à condição de vulnerabilidade social em que muitas dessas pessoas vivem.

jornalmassa