7 de março de 2026 | REGIÃO DO SISAL

Nem jogador, nem torcedor: Ednaldo é afastado da CBF por investigação de “fofoqueiro” famoso

The president of the Brazilian Football Confederation (CBF) Ednaldo Rodrigues attends a ceremony organized by the CBF to celebrate the 20th anniversary of the fifth World Cup title obtained by the national team in the 2002 FIFA Korea/Japan tournament, at the Fairmont Hotel in Rio de Janeiro, Brazil, on June 30, 2022. (Photo by MAURO PIMENTEL / AFP)

O tabuleiro de xadrez que envolve a eleição da Presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a entidade máxima do futebol no país, foi movimentado. O aparente “xeque mate” que manteria Ednaldo Rodrigues à frente da instituição, foi revisado e, na data de ontem(15), o então Presidente da CBF foi afastado do cargo por supostas irregularidades na eleição ocorrida em março.

A decisão foi tomada pelo Tribunal de Justiça a pedido de Fernando Sarney (filho do ex-presidente da República), que é um dos vice-presidentes, e alegou fraude na assinatura de um dos ex-presidentes da CBF. Segundo ele, a assinatura do Coronel Nunes foi falsificada, o que tornaria o processo invalidado.

Entra em campo o “fofoqueiro”

No final do mês passado, um dos portais conhecidos nacionalmente por noticiar a vida de famosos, publicou reportagem afirmando que o Coronel Nunes estaria sofrendo um quadro de déficit cognitivo. O texto sugere que ele pode ter assinado o acordo judicial sem condições motoras e mentais, e que, por isso, sua assinatura corria o risco de ser invalidada. Foi o sinal necessário para que os opositores de Rodrigues entrassem em ação.

Ninguém é menino (nada é por acaso)

Se a reportagem realizada pelo portal que noticia a vida de famosos aconteceu apenas por curiosidade ou não, dificilmente saberemos. O que se pode afirmar é que, numa investigação, com acusações gravíssimas, há sim muitos interesses, sobretudo quando se tratar de poder e muito “cacau” (dinheiro) envolvido. 

O vaivém de decisões judiciais é fruto de uma disputa política na CBF que tem como protagonistas Gilmar Mendes e o desembargador Luiz Zveiter. Quando o Tribunal de Justiça do Rio destituiu Ednaldo Rodrigues pela primeira vez, em dezembro de 2023, não houve quem duvidasse de que por trás da decisão estava Zveiter. Seu filho, Flávio Zveiter, é um cartola que faz oposição a Rodrigues e que tentou sucedê-lo tão logo ele deixou o cargo. Da mesma forma, quando Gilmar Mendes reconduziu Rodrigues à presidência da CBF, o mundo da cartolagem não teve dúvidas de que o ministro estava guiado por interesses próprios. Desde 2023, o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), do qual Gilmar é sócio e fundador, tem um contrato milionário com a CBF.

O ministro, além disso, já emplacou ao menos seis diretores na confederação. (Ainda assim, ele nunca se declarou suspeito para julgar processos que envolvem a CBF.)

A decisão de remeter o processo ao TJ do Rio sugere que Gilmar Mendes – depois de todo o desgaste à sua imagem, com uma série de críticas, pressão do Congresso e das redes sociais – após publicação de uma reportagem da Revista Piau, enfim resolveu pular do barco de Ednaldo Rodrigues. 

3º Mandato

Rodrigues, desde então, fez o que pôde para preservar seu mandato. Ele anunciou o italiano Carlo Ancelotti como o novo técnico da Seleção masculina. A novidade foi bem-vinda depois de uma sequência de fiascos nas negociações, mas não bastou para reverter a situação. Em reunião convocada, o baiano de Vitória da Conquista, se reuniu na sede da CBF com os presidentes das federações estaduais. Os cartolas ficaram irritados ao descobrirem, recentemente, que o presidente da CBF fez várias modificações no estatuto da entidade sem avisá-los. Essas mudanças possibilitam, entre outras coisas, que Rodrigues concorra a um terceiro mandato.

Agora, com a nova decisão da Justiça, os opositores de Rodrigues apostam que o cartola também deve ser suspenso do cargo pelo comitê de ética da CBF.

ACom informações de Allan Abreu