O cenário político baiano ganhou novos contornos nesta quinta-feira (26) com a definição de um nome estratégico para a disputa estadual de 2026. O prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), foi confirmado como pré-candidato a vice-governador na chapa liderada por ACM Neto (União Brasil), consolidando uma aliança que deve impactar diretamente o equilíbrio de forças no estado.
A escolha foi oficializada durante agenda em Jequié e representa um movimento calculado da oposição para fortalecer sua presença no interior da Bahia — especialmente em regiões onde lideranças municipais têm forte influência política.
Com trajetória iniciada na política municipal, Zé Cocá acumula experiência como prefeito de Lafaiete Coutinho, deputado estadual e, atualmente, gestor de Jequié, onde foi reeleito com votação expressiva. Sua atuação também inclui passagem pela presidência da União dos Municípios da Bahia (UPB), o que ampliou sua articulação entre prefeitos e lideranças regionais.
Antes da confirmação do convite, o próprio Cocá chegou a comentar as especulações envolvendo seu nome na disputa estadual. Em entrevista concedida a jornalistas na sede da União dos Municípios da Bahia, ele afirmou:
“Existem especulações, a gente sabe, existe esse convite, não vou nem dizer convite, eu nunca recebi esse convite, nem de Neto, nem de Jerônimo.”
A escolha do nome atende a critérios estratégicos definidos por ACM Neto, que buscava um vice com forte ligação com o interior, capacidade de articulação e conhecimento das demandas regionais — pontos que, segundo aliados, pesaram na decisão.
Nos bastidores, a movimentação também é vista como um revés para o grupo governista. Isso porque Zé Cocá vinha mantendo diálogo com o governo estadual nos últimos meses, o que alimentava expectativas de aproximação com a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT). A ida para a oposição reforça o reposicionamento político do gestor e amplia a competitividade da disputa.
Além de fortalecer a chapa, a escolha evidencia a importância crescente do interior baiano no xadrez eleitoral. Com forte base política fora da capital, Zé Cocá surge como peça-chave para ampliar o alcance da campanha e atrair apoios em regiões estratégicas.
A definição da vice-candidatura marca mais um capítulo das articulações para as eleições de 2026, que já começam a se desenhar como uma das disputas mais acirradas dos últimos anos na Bahia.
Neto elogia experiência política de Cocá
Em entrevistas recentes, ACM Neto já vinha destacando publicamente o nome de Zé Cocá como uma das principais lideranças do interior da Bahia. Durante visita ao município de Ipiaú, o ex-prefeito de Salvador comentou a possibilidade de o gestor integrar uma chapa majoritária e fez elogios à sua trajetória administrativa.
“Zé Cocá hoje teria qualificação para ocupar qualquer posição de cargo em nosso estado, até de ser governador. Se avançar e evoluir a decisão dele de dar sua contribuição em uma chapa majoritária, quem ganha com isso é a Bahia, ganha Jequié e ganha toda a região.”
Na mesma entrevista, ACM Neto também ressaltou que a definição da composição dependia da decisão pessoal do prefeito.
“Ele é um dos nomes que têm maior força interna dentro do nosso grupo político. Agora, essa decisão depende muito dele.”
Trajetória política
Natural de Itiruçu, no centro-sul da Bahia, município com pouco mais de 11 mil habitantes, Zé Cocá se mudou ainda criança para Jequié, cidade com cerca de 170 mil habitantes, aos 9 anos de idade. Lá, estudou no Centro Educacional Ministro Spínola e no Centro Educacional Técnico de Jequié, além de ter cursado Gestão Pública na Unopar.
Pré-candidato a vice-governador da Bahia e prefeito de Jequié, Zé Cocá. Foto: Marina Silva / Correio
Após a morte prematura do pai, José Joaquim de Santana, conciliou os estudos com o trabalho na roça da família, em Lafaiete Coutinho, cidade com cerca de 4 mil habitantes. No município, iniciou a trajetória política ao ser convidado para assumir a Secretaria de Desenvolvimento e, depois, a chefia de gabinete da prefeitura. Em 2008, foi eleito prefeito e reeleito quatro anos depois.
Casado com a assistente social Patrícia Brandão Santana e pai de João Arthur e Beatriz, Zé Cocá foi eleito deputado estadual pelo PP após concluir o segundo mandato como prefeito de Lafaiete Coutinho. Em 2020, venceu a eleição para a prefeitura de Jequié e, em 2024, foi reeleito com 92% dos votos válidos, uma das maiores votações proporcionais do país naquele ano. Também presidiu a União dos Municípios da Bahia (UPB), entidade que representa os prefeitos baianos, até março de 2022.
Apesar de ter se aproximado do governador Jerônimo Rodrigues para viabilizar recursos e obras para Jequié, Zé Cocá não poupa críticas à gestão estadual. Em entrevista ao CORREIO, em dezembro de 2024, afirmou que o petista ainda não “acordou” para o avanço da violência na Bahia e criticou a falta de investimentos no município.
“O governo hoje precisa mostrar alguma atuação na segurança pública. Atuação na segurança pública é encher a rua de policial? Acho que não. O governo precisa de um plano traçado. Infelizmente, não teve ainda. O governo precisa discutir um plano integrado com os municípios. O governo precisa discutir um plano integrado com a educação. Eu falo sempre: 90% dos municípios da Bahia não têm condição de ter creche, nem escola integral. Então, o governo tem que debater isso para que os municípios tenham isso”, disse o prefeito de Jequié na ocasião.
Zé Cocá também defende a renovação no plano nacional.
“Eu, particularmente, acho que Lula já deu o seu tempo. Não sou contra ninguém, acho que ele fez o trabalho dele, mas acho que o Brasil precisa de mais. A gente precisa de um candidato mais pujante, a gente precisa de um momento mais discutido”, declarou o prefeito em entrevista à rádio 95 FM, em fevereiro.
Disputa política antecipada
Mesmo faltando mais de dois anos para as eleições estaduais, a definição da vice-governadoria na chapa oposicionista indica que a corrida pelo governo da Bahia já começou nos bastidores políticos.
A estratégia busca unir a força eleitoral de ACM Neto em Salvador e na Região Metropolitana com a influência política de Zé Cocá no interior do estado, ampliando o alcance da candidatura em diferentes regiões da Bahia.
Com informações do Portal Regional Notícias.