23 de abril de 2026 | REGIÃO DO SISAL

Julgamento do caso Sara Freitas é marcado por acusações, versões conflitantes e forte comoção na Bahia

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O julgamento dos acusados pela morte da cantora gospel Sara Freitas, assassinada brutalmente em 2023, tem sido marcado por tensão, embates entre defesa e acusação e novas revelações no Fórum de Dias d’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador.

O júri popular, iniciado nesta terça-feira (24), reúne sete jurados, além de representantes do Ministério Público e advogados das partes, e pode se estender por mais de um dia diante da complexidade do caso.

Crime brutal e motivação sob investigação

Sara Freitas foi morta com mais de 20 golpes de faca após ser atraída para um falso compromisso religioso, em outubro de 2023. A investigação aponta que o crime teria sido premeditado e executado por um grupo, com participação de pessoas próximas à vítima.

Entre os réus estão o marido da cantora, Ederlan Santos Mariano, além de Weslen Pablo Correia de Jesus, conhecido como “Bispo Zadoque”, e Victor Gabriel Oliveira Neves. Eles respondem por feminicídio qualificado, com agravantes como motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima.

Um quarto envolvido, identificado como motorista por aplicativo, já foi julgado e condenado a mais de 20 anos de prisão.

Confronto de versões domina o júri

O julgamento tem sido marcado por versões divergentes. Enquanto o Ministério Público sustenta que todos os envolvidos já foram identificados e que há provas consistentes da participação dos acusados, a defesa tenta levantar dúvidas sobre o caso.

Advogados de um dos réus chegaram a apontar a possível existência de um outro participante no crime que não teria sido denunciado, tese prontamente contestada pela acusação.

Além disso, durante os depoimentos, surgiram alegações envolvendo conflitos conjugais, traições e relações pessoais, elementos usados pela defesa para tentar fragilizar a acusação.

Acusações diretas e clima de tensão

Um dos momentos mais impactantes do julgamento foi quando o “Bispo Zadoque” apontou Ederlan como suposto mandante do crime, intensificando ainda mais o clima de confronto entre os réus.

Por outro lado, Ederlan negou envolvimento, declarou amor à vítima e rejeitou as acusações, reforçando a estratégia da defesa de descredibilizar as versões apresentadas contra ele.

A mãe de Sara Freitas também se manifestou durante o processo, cobrando postura dos acusados e pedindo justiça pela morte da filha, o que aumentou a carga emocional no plenário.

Segurança reforçada e julgamento sob atenção

Diante da repercussão do caso, o julgamento conta com forte esquema de segurança, com mais de 40 policiais mobilizados para garantir a ordem no fórum.

A expectativa é que o júri traga um desfecho para um dos casos de feminicídio mais chocantes dos últimos anos na Bahia, marcado por requintes de crueldade, envolvimento de pessoas próximas e grande comoção pública.

O resultado do julgamento deve definir o destino dos acusados e encerrar uma longa espera por justiça para familiares e para a sociedade.