7 de março de 2026 | REGIÃO DO SISAL

Hoje campeãs em diversas modalidades, mulheres já foram proibidas por lei de praticar esporte no Brasil

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Em 1941, o então Presidente da República assina um decreto proibindo as mulheres de praticarem esportes “incompatíveis com as condições de sua natureza”, e claro, o futebol fazia parte desse pacote. Mas o ato não foi meramente político: a resistência de familiares, opinião de médicos e também de veículos da imprensa endossaram a construção desse texto.

Legenda: Carta aberta do escrito José Fuzueira em que pedia para o então presidente Getúlio Vargas proibir o futebol feminino Foto: Reprodução/Diário da Noite

Anos depois, durante o período da Ditadura Militar – em 1965 – houve um detalhamento das modalidades esportivas: “não é permitida a prática de lutas de qualquer natureza, futebol, futebol de salão, futebol de praia, pólo aquático, pólo, rugby, halterofilismo e beisebol”. A proibição só viria a cair em 1979, mas a sua regulamentação só sairia quatro anos depois e nossas meninas só foram participar de uma Copa do Mundo em 1991.

Legenda: Jogadoras da seleção brasileira competiram pela primeira vez em uma Copa do Mundo em 1991Foto: CBF

O prejuízo incalculável é superado a duras penas, numa conjuntura que ainda insiste em negar o talento e o profissionalismo de nossas jogadoras. E o preconceito e a resistência não ficam restritos ao futebol. Dana White dirigente da modalidade MMA (artes mistas), chegou a declarar que o público “jamais” veria mulheres lutando dentro do octógono; Ronda Rousey, Amanda Nunes e a nossa conterrânea Virna Jandiroba fizeram o mandatário tornar-se fã e rasgar elogios as belíssimas apresentações das meninas.

Impactos na modalidade atual

Se nos gramados as mulheres enfrentam dificuldade, fora deles a realidade é ainda pior diferente. Quando comparado as competições masculinas, há uma discrepância nos investimentos. Antes de 2019, não havia investimento no futebol de base, também não era possível assistir as partidas do Brasileirão na TV aberta e sequer uma camisa elas tinham; usavam a mesma da Seleção Masculina, com 5 estrelas.

Alguns avanços mudaram levemente esse contexto, mas é inegável que a paralisação provocada pelas quatro décadas do hiato provocado pelo decreto interferiu no modo que o futebol feminino se desenvolveu.

Em Adelaide, Seleção Feminina Principal estreia na Copa do Mundo Feminina: Brasil x Panamá. Thais Magalhães/CBF

Na Copa de 2007, nós fizemos a nossa melhor campanha, ao conquistarmos o 2º lugar na Copa do Mundo. Marta representou o Brasil em seis Mundiais e conquistou seis vezes o prêmio de melhor jogadora da Fifa. Mas apesar de acumular recordes em seu currículo, nunca conquistou um título. Já na Copa América, das 10 participações da Seleção Feminina, chegamos hoje (03) ao nono título. Somos os únicos a conquistar o título com a equipe masculina e feminina ao mesmo tempo.

Campeãs com emoção!

Na maior final da história da Copa América Feminina, o Brasil venceu a Colômbia por 5 a 4 nos pênaltis, após emocionante empate em 4 a 4, e conquistou o título continental pela nona vez. A seleção brasileira sofreu no tempo normal, esteve perto da derrota, foi salvo pela eterna Marta no último lance, virou de novo com a camisa 10 na prorrogação, viu a Colômbia alcançar o empate, mas no fim conseguiu garantir a taça. As penalidades também tiveram a marca da emoção: Angelina e Marta perderam suas cobranças, mas Paví chutou para fora, e a goleira Lorena defendeu as batidas de Leicy Santos e Carabalí, garantindo a conquista.

Massapê Esporte com informações do G1 e Arquivo Nacional