A Secretaria Municipal de Assistência Social de Biritinga, município do Território do Sisal, está no centro de uma grave denúncia envolvendo a distribuição de leite com prazo de validade vencido ou prestes a vencer. O alimento, destinado a programas sociais financiados com recursos do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, teria sido inicialmente ofertado à creche municipal da cidade nesta terça-feira (8), mas, segundo informações repassadas ao Portal Massapê, o alimento foi recusado pela diretora da unidade por estar muito próximo do vencimento, com um lote com data de validade marcada para hoje, 8 de julho e outro para o amanhã, 9 de julho.
Com a recusa da instituição de ensino, a Secretaria de Assistência Social teria redirecionado os lotes de leite para comunidades da zona rural, incluindo os povoados de Candeia e Barreiro. Populares relataram ter recebido o produto sem a devida orientação sobre a validade, ou orientação de que deveriam consumir o leite no mesmo dia por conta do curto período, e sem garantia de que ele estivesse armazenado em condições ideais. Ainda segundo relatos, a distribuição foi realizada utilizando uma caminhonete L200 oficial da Prefeitura de Biritinga, com plotagem identificando o veículo como pertencente à Secretaria de Saúde.
Também segundo informações repassadas para nossa redação, a origem do leite seria da APAEB, cooperativa localizada em Valente, também no Território do Sisal, mas a responsabilidade pela compra, checagem de validade, armazenamento e distribuição do produto é exclusivamente da Secretaria de Assistência Social, que coordena o repasse dos alimentos vinculados a programas federais no município.

Fontes afirmam que não é a primeira vez que há falhas na logística da assistência social local, mas o episódio desta semana gerou indignação por envolver a tentativa de entregar alimentos quase vencidos a crianças e, diante da recusa da escola, direcioná-los a moradores de comunidades rurais sem a devida comunicação.
Os riscos à saúde provocados pelo consumo de leite fora do prazo ou próximo do vencimento, especialmente em locais onde as condições de armazenamento podem ser precárias é grave. “Leite é um alimento altamente perecível. Próximo do vencimento, mesmo quando armazenado corretamente, já pode estar com sua qualidade comprometida. Quando consumido nessas condições, pode causar intoxicações alimentares, diarreias e outras complicações, sobretudo em crianças e idosos”, alerta uma nutricionista consultada pela reportagem.
Além do risco sanitário, o episódio escancara possíveis falhas na gestão dos recursos públicos. O leite faz parte de uma política nacional de segurança alimentar e nutricional voltada à população em situação de vulnerabilidade. A negligência no controle de validade do produto levanta questionamentos sobre o planejamento da Secretaria e sobre o possível desperdício de verbas federais que poderiam ser melhor utilizadas para garantir alimentos de qualidade à população.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Assistência Social para solicitar esclarecimentos e direito de resposta, mas até o momento da publicação não obteve retorno. A Secretaria Municipal de Educação também foi procurada, a fim de confirmar se a diretora da creche realmente recusou os alimentos, e aguarda-se sua manifestação.
Este espaço permanece aberto para as declarações oficiais das partes citadas.