O futebol de Conceição do Coité, um dos mais tradicionais e apaixonados da região sisaleira, vive mais um capítulo polêmico. A decisão unilateral e arbitraria da Liga Coiteense de Futebol, presidida pelo senhor Gildemar Silva Carneiro, conhecido como Dema, de proibir a transmissão ao vivo dos jogos do Campeonato Coiteense pela internet, caiu como uma bomba entre torcedores, atletas, dirigentes e, principalmente, comunicadores que têm levado o futebol local para além das arquibancadas.
A medida atinge diretamente o trabalho da imprensa local, em especial a Equipe Ta na Rua, liderada pelo comunicador Lucas Pinto, que se tornou referência na cobertura esportiva da cidade com transmissões ao vivo, análises técnicas e interação com o público. A justificativa da Liga seria a de que as transmissões estariam afastando o público dos estádios, argumento amplamente questionado e considerado equivocado por diversos setores da comunidade esportiva.
“É exatamente o contrário”, dizem os críticos. Segundo eles, as transmissões valorizam o campeonato, alcançando coiteenses que vivem fora do município, em outros estados e até em outros países, além de promover os atletas e fortalecer a imagem dos clubes. Muitos torcedores, inclusive, usam os vídeos para rever lances polêmicos e compartilhar momentos importantes das partidas e equipes usam para analisar seu desempenho e dos times adversários e preservar um registro histórico dos campeonatos.

A crítica mais contundente veio do próprio Lucas Pinto, que não escondeu a frustração:
“A Liga não sabe o que é capacitação e profissionalismo”, declarou.
A reação também veio do campo político. O vereador Professor Robenilton usou suas redes sociais para manifestar apoio à imprensa e criticar duramente a decisão:
“Não conseguem resolver os problemas, então preferem proibir a transmissão, que de alguma forma torna pública uma realidade. Minha solidariedade a Lucas Pinto e aos demais comunicadores e jornalistas que, a partir de agora, não poderão mais mostrar ao vivo as imagens dos jogos do nosso campeonato.”
Nas ruas e redes sociais, a repercussão é de indignação generalizada. “A Equipe Tá na Rua é show de bola”, dizem torcedores que sentem na pele o impacto do apagão informativo imposto pela Liga.
Além de afetar a imprensa, a medida prejudica também os jogadores, que deixam de ter acesso às imagens para avaliar seu desempenho, divulgar seus gols, jogadas e até mesmo montar portfólios que poderiam ajudá-los a buscar oportunidades em outros clubes.
A decisão, que segundo a Liga teria sido influenciada por “pedidos de alguns clubes“, mas que não cita quais, levanta suspeitas sobre interesses escusos motivando a decisão e reforça o que muitos apontam como falta de transparência e preparo da atual gestão da Liga. Em vez de enxergar a imprensa como aliada do futebol, a entidade parece optar pelo caminho da censura e da restrição, uma postura que contraria o espírito democrático do esporte. Imagens e vídeos compartilhados nas redes sociais mostram que mesmo com a proibição as arquibancadas permanecem vazias nos jogos o que comprova o equivoco da Liga.
A medida soa autoritária e desconsidera a realidade de milhares de torcedores que, por motivos diversos, como distância, limitações físicas, financeiras ou de tempo, não conseguem estar presencialmente nos estádios. Ao invés de dialogar com a sociedade e investir em iniciativas para atrair o público, como ações culturais, sorteios, preços populares e campanhas promocionais, a Liga optou por silenciar os meios de comunicação independentes que sempre ajudaram a manter o campeonato vivo na memória da população.
As equipes de imprensa que realizam a cobertura dos jogos de forma popular e acessível, ainda poderam registrar as imagens das partidas, desde que só publiquem os conteúdos apenas duas horas após o apito final, uma regra que praticamente elimina o apelo do conteúdo nas redes, e ignora a lógica de consumo de informação em tempo real que define a era digital, quase como uma sensura velada.
Ao cortar o acesso da população à principal forma de acompanhar os jogos, a Liga Coiteense não apenas exclui os torcedores mais distantes, mas também enfraquece a própria relevância do campeonato. O futebol é um patrimônio cultural que deve ser partilhado, e não restrito por decisões unilaterais que desconsideram o bem coletivo.
A esperança agora é que haja bom senso e abertura ao diálogo para reverter essa medida que, ao invés de reaproximar o público dos estádios, apenas o afasta ainda mais do que deveria ser de todos: o espetáculo do futebol local.

Em tempos onde visibilidade e engajamento são essenciais para o crescimento do futebol de base, a decisão da Liga Coiteense soa como um retrocesso, silenciando vozes que vinham fazendo um trabalho sério, profissional e apaixonado. E o maior prejudicado, como sempre, é o torcedor e os próprios jogadores.
Com informações e imagens de GN Revista.