Quando a obra finalmente sai do papel, o asfalto começa a ganhar forma e as imagens aéreas passam a circular nas redes sociais, nasce também uma velha disputa da política: a paternidade do investimento público. Foi o que ocorreu com a duplicação da BR-116 no trecho entre Santa Bárbara e Serrinha, no território do sisal.
Após o avanço visível dos serviços, o deputado estadual Ricardo Maia e o ex-prefeito de Serrinha, Adriano Lima, passaram a destacar publicamente sua participação nas articulações que envolvem o empreendimento. Ambos afirmam ter acompanhado de perto o processo e contribuído, dentro de suas atribuições, para que a obra se tornasse realidade.
Nos bastidores, porém, a cronologia revela que o projeto enfrentou, ao longo dos anos, entraves técnicos, limitações orçamentárias e mudanças de governo. Durante esse período, o debate sobre a duplicação avançou de forma lenta, com estudos, ajustes e readequações até que houvesse viabilidade para execução.
Do ponto de vista institucional, a duplicação da rodovia é uma obra de responsabilidade do Ministério dos Transportes, executada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, com recursos do Orçamento Geral da União. O planejamento e a execução atravessam diferentes gestões federais, o que reforça o caráter estrutural e contínuo do investimento.
Especialistas em gestão pública lembram que parlamentares podem atuar por meio de articulações políticas, apresentação de demandas e acompanhamento junto aos órgãos federais. Prefeitos e ex-prefeitos, por sua vez, exercem papel relevante ao pressionar institucionalmente e manter o tema em pauta. Ainda assim, a formalização, licitação e execução dependem dos trâmites técnicos e administrativos da União.
A duplicação da BR-116 é considerada estratégica para a mobilidade regional, impactando diretamente o fluxo de cargas e passageiros entre municípios do interior baiano e a capital. A expectativa é de redução de acidentes, melhoria na logística e fortalecimento da economia local.
Em meio à disputa política, permanece o fato central: trata-se de uma obra federal, planejada e executada dentro da estrutura institucional da União. Se há divergência sobre quem articulou mais ou menos nos bastidores, na certidão administrativa do empreendimento consta a assinatura do Governo Federal.