9 de março de 2026 | REGIÃO DO SISAL

Coiteense grávida de 23 anos aguarda entre a vida e a morte por vaga na regulação: família faz apelo por transferência

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Março, mês marcado pela celebração da força e das conquistas das mulheres, tem sido vivido com angústia por uma família do interior da Bahia. A lavradora Michele Lima da Cruz, de apenas 23 anos, enfrenta um drama que evidencia as fragilidades do sistema público de saúde: internada em uma maternidade sem estrutura adequada em Conceição do Coité, ela aguarda, na fila da regulação estadual, por uma vaga que pode significar a diferença entre a vida e a morte para ela e para a filha que está prestes a nascer.

Segundo familiares, Michele apresenta um quadro grave de anemia profunda e plaquetas baixas, condição que aumenta significativamente o risco de hemorragia durante o parto. A unidade onde ela está internada não possui Unidade de Terapia Intensiva (UTI) materna nem neonatal, recursos considerados essenciais para lidar com possíveis complicações e garantir a segurança da mãe e do bebê.

Diante da gravidade do caso, a família aguarda, com apreensão, a transferência para uma unidade hospitalar com estrutura adequada. Enquanto isso, a jovem permanece sob cuidados limitados, dependente da liberação de uma vaga no sistema de regulação do Estado.

Apelo emocionado da família

A irmã de Michele, Patrícia Souza Lima, descreveu o clima de desespero vivido pelos familiares. Em entrevista ao repórter Denivaldo Costa, da Rádio Subaé, ela fez um apelo público por ajuda.

“Ela está entre a vida e a morte. Estamos aqui sem saber o que fazer, todo mundo triste, só restando rezar”, relatou, emocionada.

De acordo com Patrícia, a família vive na zona rural e não possui condições financeiras para buscar atendimento particular ou custear o transporte por conta própria para outra cidade. A esperança da família é conseguir uma vaga em Feira de Santana, considerada referência regional em saúde.

Esperança em Feira de Santana

A chamada “Princesa do Sertão” concentra algumas das principais unidades hospitalares públicas da região. Entre elas, o Hospital Inácia Pinto dos Santos, conhecido como Hospital da Mulher, e o Hospital Geral Clériston Andrade, que atendem pacientes de diversos municípios do interior baiano e contam com estrutura mais adequada para casos de alta complexidade.

Para a família de Michele, uma transferência para uma dessas unidades pode representar a única chance de garantir um parto seguro e preservar a vida da mãe e da criança.

Sensação de abandono

Além da apreensão com o estado de saúde da jovem, a família também demonstra indignação com o que considera falta de apoio das autoridades locais. Segundo Patrícia, até o momento nenhum representante político teria prestado auxílio efetivo diante da gravidade da situação.

Em um desabafo emocionado, ela afirma que, em momentos como esse, a população se sente esquecida pelo poder público.

Enquanto a vaga na regulação não é liberada, familiares e amigos seguem mobilizados em oração e na esperança de que Michele seja transferida a tempo. Para eles, cada minuto de espera aumenta o risco e a angústia diante de um sistema que, muitas vezes, transforma a espera por atendimento em uma corrida contra o tempo.