26 de maio de 2026 | REGIÃO DO SISAL

Brasil registra menor taxa de homicídios em 11 anos: 77% são pessoas negras

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O Brasil registrou, em 2024, a menor taxa de homicídios dos últimos 11 anos. Os dados são do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Segundo o levantamento, a taxa nacional caiu para 20,1 homicídios por grupo de 100 mil habitantes. Ao todo, foram contabilizados oficialmente 42.590 assassinatos em todo o país no ano passado.

O índice representa uma redução de 7,4% em comparação com 2023 e aponta uma tendência de desaceleração da violência letal no Brasil. Entre os fatores citados pelo estudo para explicar a queda está a chamada “acomodação” da guerra do narcotráfico em algumas regiões do país.

Apesar da redução nacional, o cenário ainda preocupa em diversos estados brasileiros. Das 27 unidades da federação, 18 registraram taxas de homicídios acima da média nacional.

Os estados com maiores índices de violência letal foram:

  • Amapá
  • Bahia
  • Pernambuco
  • Alagoas
  • Ceará

A pesquisa também destaca profundas desigualdades sociais e raciais relacionadas à violência no país.

Pessoas negras seguem como maiores vítimas da violência

Os dados do Atlas mostram que 32.820 pessoas negras foram assassinadas em 2024 no Brasil, número que representa 77% de todas as vítimas de homicídio registradas no país.

Na prática, isso significa uma média de 89,9 assassinatos de pessoas negras por dia — o equivalente a uma morte a cada 16 minutos.

Segundo o levantamento, a taxa de homicídios entre pessoas negras é 170,3% superior à registrada entre pessoas não negras.

A análise regional aponta que as maiores taxas de homicídios de pessoas negras estão concentradas nas regiões Norte e Nordeste, enquanto os menores índices aparecem principalmente no Sul e Sudeste.

Entre os estados com menores taxas aparecem:

  • São Paulo — 8 homicídios por 100 mil habitantes negros
  • Santa Catarina — 10,3 homicídios por 100 mil habitantes negros

Já os maiores índices foram registrados em:

  • Amapá — 56,8
  • Alagoas — 48,9
  • Pernambuco — 47,6
  • Bahia — 47,1

O estudo também aponta diferenças alarmantes no chamado “risco relativo”, que mede a chance de uma pessoa negra ser assassinada em comparação com pessoas brancas.

Em nível nacional, uma pessoa negra tem 2,7 vezes mais chances de ser vítima de homicídio.

A única exceção registrada foi Roraima, onde o risco relativo foi de 0,5.

Os estados com maiores desigualdades raciais na violência foram:

  • Alagoas — negros têm 23,3 vezes mais chances de serem assassinados
  • Amapá — 16,7 vezes mais chances
  • Sergipe — 6,8 vezes mais chances

Ainda de acordo com o levantamento, entre 2014 e 2024, o Brasil registrou 435.551 homicídios de pessoas negras, contra 132.156 vítimas não negras no mesmo período.

Violência contra população LGBTI+ cresce no Brasil

O Atlas da Violência 2026 também revelou crescimento nos registros de violência contra a população LGBTI+ no país.

Segundo o estudo, em 2024 foram registradas mais de 15.800 notificações de violência envolvendo pessoas LGBTQIA+.

Os dados apontam ainda dificuldades do Estado brasileiro em identificar e registrar corretamente a motivação dos crimes, o que impacta diretamente na criação de políticas públicas de enfrentamento à violência.

Casos contra homossexuais e bissexuais aumentaram

As notificações de violência contra homossexuais e bissexuais cresceram 5,5% em 2024, chegando a 10.250 registros.

Nos últimos 11 anos, o aumento acumulado foi de 212,7%.

Entre os dados apresentados:

  • Casos envolvendo homossexuais passaram de 7.043 para 7.378 entre 2023 e 2024, crescimento de 4,8%;
  • Registros envolvendo pessoas bissexuais subiram de 2.675 para 2.872, alta de 7,4%.

O levantamento aponta ainda que, ao longo da última década:

  • A violência contra pessoas bissexuais aumentou 781%;
  • Os casos contra homossexuais cresceram 149,9%.

No total, foram registrados 59.790 casos de violência contra homossexuais e bissexuais nos últimos dez anos.

Violência contra pessoas trans e travestis também aumentou

Os dados do Atlas mostram ainda crescimento nas notificações de violência contra pessoas trans e travestis.

Em 2024, os registros tiveram alta de 2,5% em relação ao ano anterior, chegando a 5.575 notificações.

Ao longo dos últimos dez anos, o sistema de saúde contabilizou pelo menos 35.779 casos de violência contra pessoas trans e travestis em todo o Brasil.

O levantamento reforça que os números podem ser ainda maiores devido à subnotificação e à dificuldade na identificação da motivação dos crimes.

Com informações do G1