Policiais militares são acusados de obrigar suspeitos de tráfico de drogas a vestirem camisetas alusivas à campanha de Lula antes de serem levados à delegacia em Piracicaba (SP) nesta quarta-feira (21). Moradores, a mãe de um dos jovens e uma deputada acusam os agentes de forjarem a situação.
A deputada estadual Professora Bebel (PT), que denunciou o caso, afirmou a reportagem que as camisetas que o trio vestia são uniformes de campanha e só pessoas contratadas para trabalhar receberam a vestimenta para identificação. Bebel afirmou que entrou com representação na Corregedoria da PM.
Já a mãe do jovem apreendido afirmou que o filho é usuário de drogas e não traficante. Segundo ela, ele não atua em campanha política.
A mulher também disse que os policiais invadiram a casa dela. “Eles falaram pra mim que não era pra vir atrás. Aí eles deram um soco no peito da minha filha de 14 anos”.
A advogada Joice Vanessa dos Santos, que integra a defesa de um dos policiais militares, disse que as acusações “não retratam adequadamente o contexto da ocorrência nem a atuação dos policiais”.
Santos afirmou, ainda, que é necessário esclarecer as circunstâncias da abordagem, os elementos que motivaram a intervenção policial e a sequência completa dos acontecimentos. Por fim, garantiu que os esclarecimentos e elementos pertinentes serão apresentados às autoridades responsáveis pela apuração.
A chegada dos detidos à delegacia foi gravada e a imagem foi compartilhada pelo senador eleito Guilherme Derrite (PP). Em nota, Derrite afirma que o objetivo da publicação foi chamar a atenção para o aliciamento de jovens pelo tráfico de drogas e que não fez qualquer menção às camisetas utilizadas pelos envolvidos – leia a íntegra do posicionamento aqui.
“Quanto às alegações apresentadas posteriormente, Derrite defende que os fatos sejam devidamente apurados pelos órgãos competentes”, completou, por meio da assessoria de imprensa.
O post de Derrite tinha mais de 358 mil curtidas e quase 25 mil comentários até a última atualização desta reportagem. O PT pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) que o Ministério Público Eleitoral (MPE) investigue o caso.
A reportagem foi ao local durante a manhã desta quinta-feira e ouviu testemunhas que apontam que o trio detido não estava com camiseta do PT na hora da abordagem.
“Um estava todo de cinza, um de moletom todo azul, boné e o outro estava de bermuda jeans a camiseta branca”, detalhou uma das testemunhas.
Ela afirma que a abordagem ocorreu durante a manhã de quarta-feira e que acordou com o barulho. Segundo a testemunha, duas viaturas com cerca de seis agentes estavam no local e houve agressão.
“Eles botaram todos no corredor, sentados e começaram a bater. Depois pegou um, algemou, levou aqui em cima, aí disse que apareceu uma arma ali, não sei se apareceu mesmo. Quando chegou lá, a menina tem uma irmã, a irmã correu gritando a mãe e ele deu um soco na menina”.
O adolescente, que tem 17 anos, foi levado para uma unidade da Fundação Casa. Os dois maiores de idade têm 21 e 24 anos. O trio foi preso após denúncia via 190, segundo a PM.
Os adultos passaram por audiência de custódia na manhã desta quinta (22). O jovem de 21 anos foi solto e o mais velho permaneceu preso.
PM investiga
Em nota, a Polícia Militar (PM) afirmou que “tomou conhecimento das alegações divulgadas nas redes sociais acerca da abordagem, incluindo relatos de agressões e de que os envolvidos teriam sido obrigados a vestir as referidas camisetas”.
“Tais alegações serão devidamente consideradas e os fatos serão analisados através de procedimentos apuratórios cabíveis”, completou a PM.
por g1

