Fechada há um ano e meio após o desabamento de parte do teto que matou uma turista e deixou outras cinco pessoas feridas, a Igreja e Convento de São Francisco, um dos principais cartões-postais de Salvador, busca alternativas para viabilizar sua recuperação. Entre as propostas em estudo está a transformação de parte do convento em um hotel, iniciativa que ajudaria a financiar as obras de restauração e a manutenção do complexo religioso.
Segundo informações, os responsáveis pelo monumento histórico procuram parceiros da iniciativa privada interessados em investir no projeto. A ideia é adaptar áreas do convento para uso hoteleiro, preservando o patrimônio histórico e gerando uma fonte permanente de receita para custear a conservação do espaço.
A igreja permanece interditada desde o acidente em fevereiro de 2025 que levou ao fechamento do templo para avaliações estruturais e elaboração de um plano de recuperação. Considerada uma das mais importantes construções do barroco brasileiro, a Igreja de São Francisco é reconhecida pelo interior revestido em talha dourada e atrai milhares de turistas todos os anos.
Enquanto aguarda a restauração, o projeto de converter parte do convento em hotel é visto como uma alternativa para garantir a sustentabilidade financeira do conjunto arquitetônico e acelerar sua reabertura ao público.
Campanha
Em junho deste ano, foi lançada a campanha Abrace São Francisco, iniciativa que pretende arrecadar recursos para a recuperação da Igreja e Convento de São Francisco.
A campanha Abrace São Francisco aceita doações de pessoas físicas e jurídicas, sem valor mínimo. As contribuições podem ser feitas pelo site abracesaofrancisco.com ou pela chave Pix campanha@saofranciscobahia.org.
Os organizadores também pedem apoio por meio da divulgação da iniciativa e de orações.
Levantamentos técnicos realizados em conjunto com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) apontaram uma série de problemas no complexo franciscano. Entre eles estão trechos do telhado que precisaram ser escorados devido ao risco estrutural, além de uma rede elétrica considerada ultrapassada e com potencial elevado de incêndio. Assoalhos, forros e vigamentos também necessitam de recuperação.
Outros ambientes históricos demandam obras urgentes. A Biblioteca Antiga, onde estão guardados livros raros, requer restauração completa. Já a Biblioteca Nova enfrenta dificuldades relacionadas à conservação e organização do acervo. Espaços como a Sacristia, a Sala do Capítulo e o Refeitório apresentam necessidades específicas de preservação em elementos artísticos, mobiliário, azulejaria e estruturas arquitetônicas.
O diagnóstico inclui ainda imagens religiosas, objetos litúrgicos e obras de arte que precisam ser restaurados para evitar perdas irreversíveis.
Os recursos arrecadados pela campanha serão destinados às intervenções emergenciais e às áreas que não serão atendidas pelo Novo PAC, como a sacristia, as bibliotecas, a sala do capítulo e o convento.
Recursos federais não cobrem todas as necessidades
O Governo Federal anunciou em fevereiro de 2026 aproximadamente R$ 20 milhões, por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), para a recuperação do conjunto arquitetônico.
No entanto, o montante não contempla todas as demandas identificadas, segundo os organizadores da campanha. Conforme discussões realizadas com o Iphan, os recursos possuem limitações legais e dependem da conclusão de projetos técnicos atualizados.
A prioridade do investimento federal será a igreja, a portaria e o claustro, enquanto outros setores do complexo permanecem sem garantia de financiamento.
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