O cônego Alberto Montealegre Vieira Neves, sacerdote da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, foi nomeado oficialmente como novo oficial da Sessão Disciplinar do Dicastério para a Doutrina da Fé. A nomeação o insere diretamente na engrenagem mais sensível da Cúria Romana, um organismo frequentemente referido no meio eclesial como o “Tribunal do Papa”.
A Sessão Disciplinar atua sob o comando direto do Papa Leão XIV, e funciona como um tribunal penal de exceção para julgar os chamados “delitos reservados”, os crimes considerados mais graves dentro do ordenamento jurídico católico.
Dentre as competências do departamento, estão os processos canônicos de denúncias de abusos sexuais cometidos contra menores de idade e pessoas vulneráveis. O tribunal também detém a exclusividade sobre julgamentos de delitos de sacrilégio contra a Santíssima Eucaristia, violações do sigilo do sacramento da Penitência (confissão) e desvios graves ligados ao sacramento da Ordem.
Com as reformas recentes promovidas no Direito Canônico, a jurisdição do órgão não se limita mais apenas aos padres e bispos. Fiéis leigos e membros de ordens de vida consagrada também respondem ao tribunal.
Na sua nova função, que tem um mandato inicial fixado em cinco anos, o cônego Alberto terá a missão estratégica de relatar e conduzir os processos penais secretos provenientes de países que integram a comunidade de língua portuguesa.
“Irei colaborar com o Romano Pontífice, o Papa Leão XIV, na matéria que é tratada neste Dicastério da Doutrina da Fé, nesta sessão que trata dos chamados delitos reservados. Entre os delitos reservados está aquele mais grave, que é o abuso de menores e de pessoas vulneráveis por parte de clérigos e por parte também de fiéis da vida consagrada”, explicou o cônego Alberto, reforçando o compromisso com a transparência e a justiça.”
Para o sacerdote soteropolitano, a atuação firme da estrutura disciplinar do Vaticano é indispensável para preservar a própria integridade moral da Igreja no mundo contemporâneo. Ele defende que a celeridade na punição de desvios é uma forma de proteger os vulneráveis e curar feridas institucionais históricas.
“A Igreja sempre pede e quer uma celeridade no tratamento desses casos para que a justiça realmente seja cumprida e que assim o bem comum da Igreja, que é a fé anunciada, testemunhada e celebrada, não venha a ser ferida e não venha a ser lesada por causa de comportamentos contrários ao Evangelho”, pontuou o clérigo em entrevista.”
o se despedir da capital baiana rumo ao Vaticano, o Cônego pediu aos fiéis baianos que mantenham orações direcionadas ao novo trabalho.
Levo comigo a representatividade da Sé Primacial do Brasil. Peço as orações de todos os fiéis da nossa Arquidiocese para este âmbito tão difícil e tão delicado para a vida da Igreja”, concluído.
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