A Sexta-feira Santa em Serrinha, na região sisaleira da Bahia, é marcada por uma das manifestações mais simbólicas da religiosidade popular: a subida dos fiéis aos montes da cidade, em especial ao Monte Guarani e à Colina de Santana, em um gesto de fé, sacrifício e reflexão.
Logo nas primeiras horas da madrugada, centenas de devotos iniciam a caminhada em silêncio, muitos descalços ou carregando cruzes, revivendo simbolicamente o percurso de Jesus Cristo até o Calvário. A tradição, que atravessa gerações, transforma a paisagem da cidade em um cenário de profunda espiritualidade.
A prática integra a programação da Semana Santa e ocorre no dia dedicado à memória da crucificação de Cristo, data considerada uma das mais importantes do calendário cristão, marcada por jejum, oração e contemplação da Paixão.

Em Serrinha, o costume de subir os montes está diretamente ligado à vivência da penitência e à busca por renovação espiritual. Ao longo do trajeto, grupos rezam, entoam cânticos e participam da Via-Sacra, reforçando o caráter coletivo da devoção.
A tradição se soma a outras manifestações religiosas do município durante a Semana Santa, como a Procissão do Fogaréu, realizada na Quinta-feira Santa e reconhecida como patrimônio cultural imaterial da Bahia.
Além de seu significado religioso, o movimento também atrai visitantes de diversas cidades, consolidando Serrinha como um importante polo de turismo religioso no interior do estado.
A programação da Sexta-feira Santa segue ao longo do dia com celebrações nas igrejas, incluindo a Celebração da Paixão do Senhor e, à noite, a Procissão do Senhor Morto, encerrando um dos momentos mais intensos e simbólicos da fé cristã no município.
