Mais uma grave denúncia envolvendo a gestão municipal de Biritinga, no território do sisal, desta vez levanta um alerta sobre a situação enfrentada por profissionais da saúde. O relato, enviado ao Portal Massapê por um denunciante que preferiu não se identificar por medo de represálias, aponta atrasos salariais, cortes de benefícios e a não aplicação do piso nacional da enfermagem, mesmo com o envio de recursos federais.
Segundo a denúncia, servidores estariam recebendo valores abaixo do salário mínimo, enquanto adicionais como insalubridade, adicional noturno e pagamentos por viagens teriam sido suspensos pela gestão do prefeito Gilmario de Sousa Oliveira, conhecido como “Giu de Gode”. Descrevendo o que chamam de “vergonha” e “descaso” com os servidores municipais.
“Gostaria de fazer uma denúncia ao prefeito Gilmário, o ‘Giu de Gode’. O salário do funcionário público está sendo uma vergonha, um descaso no município de Biritinga. Tem funcionário recebendo meio salário mínimo”, afirma.
Piso da enfermagem não teria sido repassado
De acordo com o relato, o município teria recebido no dia 3 de março cerca de R$ 134 mil do Governo Federal, valor destinado ao pagamento do piso da enfermagem. No entanto, até o dia 30 do mesmo mês, os profissionais afirmam que o recurso não teria sido repassado.
“O profissional de saúde perde noites, deixa sua família, arrisca a vida e ainda está pagando para trabalhar”, afirma o denunciante.
A situação descrita expõe um cenário de precarização, onde trabalhadores da linha de frente da saúde estariam atuando sem condições adequadas, inclusive utilizando ambulâncias sem manutenção e sem suporte básico para alimentação durante plantões e deslocamentos.
“O governo federal manda o piso todo mês, do final do mês ao quinto dia útil. Dia 3 de março entrou a verba. Hoje é dia 30… Cadê o dinheiro do profissional da enfermagem?”, questiona. A fala demonstra indignação com o atraso e cobra responsabilidade da gestão municipal.
“Respeite o funcionário público, se respeite”
O denunciante também faz críticas diretas à postura do prefeito, citando a importância dos profissionais da saúde para a população.
“Tome vergonha na cara! Quando você adoece, quando seus filhos adoecem, não é para campo de futebol que você vai não Giu de Gode. Você vai parar dentro de um hospital. Respeite o funcionário público, se respeite”, dispara.
Profissionais relatam que “estão pagando para trabalhar”
Outro ponto destacado é a retirada de direitos historicamente garantidos à categoria. Sem adicionais e com salários reduzidos, profissionais relatam dificuldades até para custear despesas básicas durante o exercício da função. A denúncia aponta a retirada de benefícios essenciais, como adicional de insalubridade, adicional noturno e pagamento por viagens.
“Ele cortou a insalubridade, cortou o adicional noturno, cortou as viagens. Os profissionais estão pagando para trabalhar”, afirma o denunciante.
O relato ainda descreve condições precárias de trabalho, com ambulâncias sem manutenção e falta de suporte básico durante plantões.
“Arriscando vidas em ambulâncias velhas, sem manutenção, sem dinheiro para tomar uma água, sem um real para comer um lanche”, completa.
Os servidores também ressaltam o impacto emocional e físico enfrentado pelos trabalhadores, que lidam diretamente com vidas, muitas vezes em jornadas exaustivas e sob risco constante de contaminação por doenças.
“O profissional de saúde perde noites, deixa suas famílias em casa para cuidar das famílias dos outros, deixa de se cuidar para cuidar da vida dos outros”, diz.
Clima de medo entre servidores
Ainda segundo o denunciante, há um ambiente de pressão imposta pela gestão dentro do serviço público municipal, onde servidores evitam se manifestar publicamente por receio de retaliações.
A falta de posicionamento oficial e de diálogo com a categoria também é apontada como um dos principais fatores que agravam a crise. Os servidores também alegam que não se sentem representados pelo sindicato que não estaria fornecendo o apoio nem resultados efetivos.
“Os funcionários não podem nem falar, nem gritar por socorro… até quando?”, questiona.
Histórico de má gestão
A nova denúncia se soma a uma sequência de reportagens já publicadas pelo Portal Massapê, que apontam possíveis irregularidades na administração municipal de Biritinga, especialmente no que diz respeito à aplicação de recursos públicos.
Recentemente, o portal revelou um impasse envolvendo verbas da cultura por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), com artistas denunciando a falta de pagamento mesmo após o repasse dos recursos federais:
Além disso, outra investigação do Portal Massapê apontou que o prefeito Gilmário de Sousa Oliveira foi condenado pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) a devolver recursos do FUNDEB utilizados de forma irregular, em um caso que ficou conhecido como a “farsa do rateio”:
As denúncias reforçam um cenário de questionamentos recorrentes sobre a gestão de recursos federais no município, envolvendo áreas essenciais como saúde, cultura e educação.
Outro lado
O Portal Massapê tentou contato com a Prefeitura de Biritinga e com o prefeito Gilmário de Sousa Oliveira para esclarecimentos sobre as denúncias, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
O espaço segue aberto para manifestações oficiais.
Enquanto isso, servidores da saúde seguem aguardando respostas e, sobretudo, o pagamento de direitos básicos garantidos por lei.