Uma operação de grande porte deflagrada nas primeiras horas desta quarta-feira (1º) pela Polícia Federal (PF), em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), colocou a região sisaleira da Bahia no centro de uma investigação que apura um suposto esquema milionário de fraudes em licitações públicas. Entre os alvos está o gabinete do deputado estadual Marcinho Oliveira (PRD), na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA).
A ofensiva também alcançou imóveis de alto padrão em Salvador, incluindo um apartamento no condomínio Le Parc, além de endereços em cidades estratégicas do território do sisal, como Serrinha, Santaluz e Araci, ampliando o alcance da investigação que tem como foco contratos públicos firmados nos últimos anos.
Esquema teria origem em Serrinha e se espalhado pela região
De acordo com as investigações, o núcleo do esquema estaria ligado à Prefeitura de Serrinha, com desdobramentos que impactam diretamente municípios vizinhos. A apuração aponta que, entre 2017 e 2024, durante a gestão do ex-prefeito Adriano Lima (PSD), processos licitatórios para locação de veículos teriam sido manipulados para favorecer uma empresa específica.
Segundo a Polícia Federal, o suposto esquema envolvia a atuação conjunta de gestores públicos, servidores municipais e empresários, criando um ciclo de fraudes que incluía direcionamento de contratos, superfaturamento e até pagamentos por serviços que não teriam sido efetivamente prestados.
Dinheiro em espécie e ligação com agente político
As investigações indicam ainda que, após a contratação da empresa beneficiada, o proprietário, que teria ligação direta com o deputado investigado, realizava repasses financeiros a agentes públicos. Esses pagamentos ocorreriam tanto por meio de transferências bancárias quanto em dinheiro vivo.
A suspeita é de que os valores distribuídos tenham origem em contratos inflados ou fictícios, levantando indícios de lavagem de dinheiro e organização criminosa. A possível participação de um parlamentar com atuação na região amplia a gravidade do caso e reforça o impacto político da operação.
Mandados cumpridos em cidades do território do sisal
Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. As ações ocorreram simultaneamente em cinco cidades baianas: Serrinha (no bairro da Vaquejada), Santaluz, Araci, Feira de Santana e Salvador.
A presença de equipes federais em municípios do sisal chamou atenção da população local e evidencia a dimensão do esquema investigado.
Material apreendido pode ampliar investigação
Durante as diligências, os agentes apreenderam aparelhos eletrônicos, documentos e quantias em dinheiro. Todo o material recolhido será submetido à perícia técnica, que deve aprofundar as investigações e identificar possíveis novos envolvidos ou ramificações do esquema.
Os investigados poderão responder por crimes como fraude em licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O caso segue sob investigação, e novas fases da operação não estão descartadas.