18 de março de 2026 | REGIÃO DO SISAL

Biritinga em estado de calamidade: população revoltada toma atitude com as próprias mãos, enquanto gestão se escora em decreto de emergência; veja vídeo

PATROLasa

Moradores de Biritinga, na região sisaleira da Bahia, vivem dias de indignação diante de uma série de problemas que, segundo denúncias encaminhadas ao Portal Massapê, evidenciam um cenário de abandono por parte da gestão municipal. Falta de transporte escolar, estradas intransitáveis e até escassez de água potável têm afetado diretamente a vida da população, especialmente na zona rural.

Enquanto isso, a Prefeitura decretou situação de emergência no município, alegando impactos causados pelas fortes chuvas. No entanto, para muitos moradores, o decreto não tem sido acompanhado de ações concretas capazes de amenizar os problemas enfrentados no dia a dia.

Em contato com a reportagem, a gestão municipal informou que Biritinga está sob estado de emergência, conforme decreto assinado pelo prefeito Gil de Gode. O documento reconhece os impactos das chuvas intensas que atingem o município desde o fim de fevereiro.

De acordo com o decreto, “as chuvas intensas ocasionaram alagamentos, enxurradas, erosões, danos à infraestrutura urbana e rural, comprometimento de vias públicas, drenagens e equipamentos públicos” .

O texto também classifica o desastre como “Situação de Emergência, em razão dos danos e prejuízos que comprometem parcialmente a capacidade de resposta do Município” .

Apesar disso, moradores afirmam que os problemas não são recentes e poderiam ter sido evitados com manutenção preventiva e melhor planejamento da gestão pública.

Estradas precárias e abandono de equipamentos públicos

Um dos principais alvos de críticas é a situação das estradas vicinais, agravada após as chuvas e sem reparos por parte da prefeitura. Segundo denúncia, o município possui duas máquinas patrol, mas apenas uma está em funcionamento.

A outra, de acordo com relatos, está parada há mais ou menos dois anos, deteriorando-se por falta de manutenção. O problema seria elétrico e, segundo moradores, poderia ter sido resolvido com facilidade, mas a gestão teria optado por não realizar o conserto.

A consequência é sentida diretamente nas comunidades rurais, onde o acesso se torna cada vez mais difícil.

Na comunidade de Campo da Ema, a revolta chegou ao limite. Moradoras se uniram e decidiram, por conta própria, realizar reparos na estrada para garantir a passagem.

“Realidade que enfrentamos após as políticas. Depois de todo nosso esforço o bonito do motorista do transporte escolar ainda não veio pegar as crianças e nós fez de trouxa. Se não quer trabalhar é só dar a oportunidade pra quem realmente precisa. Absurdo de vergonhoso uma situação dessas. Biritinga cada vez melhor”, desabafou uma moradora.

Decreto não resolve o dia a dia da população

Embora o decreto de emergência permita, por exemplo, a dispensa de licitação e a mobilização de recursos para enfrentamento da crise , moradores afirmam que, na prática, pouco mudou.

Para a população, decretar situação de emergência sem ações efetivas não resolve o que já classificam como uma verdadeira calamidade pública cotidiana.

Entre lama nas estradas, ônibus que não passam e torneiras secas, o sentimento predominante em Biritinga é de abandono e a cobrança por respostas concretas da gestão municipal só aumenta.