7 de março de 2026 | REGIÃO DO SISAL

Treta pela primeira saída do trio agita fãs de Daniela Mercury

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A decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) que restabeleceu a ordem tradicional dos desfiles no Circuito Barra-Ondina, no Carnaval de 2026, mexeu com os ânimos de quem acompanha de perto a folia soteropolitana. A suspensão da liminar que colocaria o Bloco Crocodilo abrindo o percurso neste domingo (15) reacendeu a discussão — e, nas ruas, o papo foi além do ‘juridiquês’.

Entre foliões e admiradores da cantora Daniela Mercury, o tom predominante é de defesa da trajetória da artista e do papel dela na consolidação do circuito Dodô como um dos principais palcos do Carnaval de Salvador. Para essa galera, a treta não gira só em torno de horário de trio, mas de reconhecimento histórico.

“Nada mais justo do que a abertura ser dela”

No meio da muvuca que toma conta do circuito durante a festa, pessoas de vários cantos do país acompanham de perto cada decisão. Direto de Fortaleza, o folião César Azevedo disse ver legitimidade na reivindicação da artista e relacionou a abertura do desfile à construção histórica do circuito.

César veio direto de Recife para prestigiar a ídola

César veio direto de Recife para prestigiar a ídola| Foto: Luan Julião/Ag. A TARDE

“Assim, pessoalmente, eu achei válida a posição dela, até porque quem abriu o circuito aqui foi ela. Eu acho que nada mais justo do que a abertura ser dela.”, conta. Para ele, o peso da história deveria ser determinante na definição da ordem:

“Acho que deveria ter sido concedida a ela a abertura do circuito, pela história. Quem começou isso aqui foi ela e a história do bloco também, a força dela representa Salvador. Então, eu acho que a derrubada foi injusta, eu acho.”, conta.

“Figura central do Carnaval”

Outro ponto que aparece com força entre os admiradores é a noção de protagonismo artístico dentro do próprio circuito. Para parte do público, a presença constante da cantora ajudou a fortalecer o espaço musical como vitrine nacional da festa baiana. De Recife, Felipe Silva reforça a ideia de protagonismo da artista dentro da avenida.

“A meu ver, Daniela é uma figura central do Carnaval. Sua influência foi fundamental para o surgimento e desenvolvimento do circuito Barra-Ondina. Acredito que ela mereça maior consideração.”, aponta.

Imagem ilustrativa da imagem Treta pela primeira saída do trio agita fãs de Daniela Mercury

Foto: Luan Julião/Ag. A TARDE

Ele defende que a cantora tenha maior autonomia dentro da programação: “Daniela é uma protagonista nesse circuito. Penso que ela deveria escolher o horário e a forma como deseja desfilar.”

“Ela foi quem deu início a tudo isso aqui”

A ideia de que certos nomes representam momentos decisivos da festa surge com frequência entre quem acompanha o Carnaval há décadas e construiu memória afetiva com esses marcos. Também recifense, Flávia Ribeiro destaca o reconhecimento simbólico que, na avaliação dela, deveria ser dado à artista.

Flávia Ribeiro destacou o sentimento ao defende a cantora

Flávia Ribeiro destacou o sentimento ao defende a cantora| Foto: Luan Julião/Ag. A TARDE

“Daniela é mais que merecedora e deve realmente continuar abrindo o circuito. Ela foi quem fundou, quem deu início a tudo isso aqui. Ela é merecedora, gente, e eu acho que ela tem que ser uma das primeiras, sim.”

Debate segue quente na avenida

Embora a decisão do Tribunal tenha mantido a ordem oficial, com o Olodum abrindo o circuito neste domingo, entre os fãs a discussão é vista como uma questão de memória e respeito à trajetória artística.

Para os admiradores, mais do que uma disputa por horário, trata-se do reconhecimento de quem ajudou a moldar a identidade do Barra-Ondina e a projetar o Carnaval de Salvador para o Brasil e o mundo.

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