7 de março de 2026 | REGIÃO DO SISAL

Da região sisaleira para o mundo: Conheça a serrinhense que rompeu fronteiras e hoje integra as Forças Armadas da Austrália

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De uma infância simples e marcada por superação na zona rural de Serrinha, no coração da região sisaleira da Bahia, à conquista de um posto nas Forças Armadas da Austrália, e como a única mulher de sua turma, a trajetória de Josy Damaceno Gomes é um exemplo inspirador de fé, coragem e determinação. Filha da conhecida professora Naide Damasceno Gomes e de Pedro Cirino Gomes, Josy cresceu ao lado dos irmãos Matheus e Pedro Cirino Filho em meio aos valores cristãos e à força de uma mãe que assumiu sozinha os papéis de pai e mãe após a trágica perda do marido em um acidente de carro, quando os filhos ainda eram crianças. “Sou uma guerreira desde então. Na verdade, minha família é guerreira desde então”, recorda Josy, emocionada.

A infância na chácara, a convivência com a mãe professora e as lições de responsabilidade e fé deixaram marcas profundas em sua formação. “Mainha sempre dizia: ‘Deus proverá’. E Ele sempre proveu. Ela nos ensinou o valor da honestidade, da fé e da família. Cresci vendo minha mãe trabalhar, resolver tudo sozinha, mas sem deixar de reconhecer a importância da figura masculina no lar. Isso moldou minha visão de mundo”, relembra.

Do sonho de infância ao primeiro emprego

Ainda menina, Josy acompanhava a mãe ao banco para receber o salário no fim do mês. Ali, nasceu seu primeiro sonho profissional. “Eu dizia que queria ser ‘banquista’, sem saber que a palavra certa era ‘bancária’”, conta, rindo. O sonho se realizou anos depois, quando ela passou no vestibular da UNEB para Pedagogia e, logo em seguida, foi aprovada em uma seleção para o Banco Bradesco de Serrinha, onde trabalhou por 12 anos. “Amava ser bancária! Os clientes me amavam! Foi meu primeiro e único emprego no Brasil, e fui muito feliz.”

Durante esse período, Josy foi transferida para cidades como Irecê, Salvador e Recife, até que um novo sonho começou a tomar forma, o de viver fora do Brasil.

O salto para o outro lado do mundo

Em 2013, uma amiga a convidou para tentar a vida na Austrália, país que ela conhecia apenas por fotos. Sem falar inglês e sem nunca ter saído do Brasil, Josy decidiu encarar o desafio. “Eu não sabia nada de inglês, mas vim com fé. Minha amiga acabou desistindo, e vim sozinha. Foi um choque cultural enorme, mas Deus me guiou em cada passo.”

Determinada, ela se hospedou com uma família australiana e decidiu evitar o contato com brasileiros para acelerar o aprendizado do idioma. “Foi difícil, mas aprendi rápido. Tive que me virar. O tradutor era meu melhor amigo no início, depois decidi largar e aprender de verdade.”

A virada: das agências bancárias à farda camuflada

O ingresso nas Forças Armadas australianas aconteceu de forma inesperada. Josy, que sempre gostou de fardas, viu sua vocação despertar após presenciar uma operação militar de resgate durante fortes enchentes na região onde mora. “Vi os soldados reconstruindo uma ponte em apenas oito dias, levando comida e ajuda a pessoas ilhadas. Foi ali que pensei: ‘Um dia eu estarei ajudando assim também’. E esse dia chegou.”

O processo seletivo foi intenso, com provas teóricas, psicológicas, médicas e físicas. “Não foi fácil, mas disciplina é a base de tudo. Hoje treino todos os dias, mudei hábitos, alimentação e rotina. Aprendi que o corpo é uma arma e precisa estar preparado.”

Josy superou todos os desafios e se tornou a única mulher, e a mais velha, de sua turma, com mais de 40 anos. “É uma sensação maravilhosa. Tenho muito respeito pelos colegas e sou respeitada também. O importante é o trabalho em equipe. Não existe competição, existe união.”

Fé, disciplina e orgulho nordestino

Mesmo vivendo há mais de uma década na Austrália, Josy mantém viva a essência de suas raízes. “Nunca perdi o sotaque nordestino! Às vezes, isso até interfere no inglês, mas tenho orgulho disso. Carrego Serrinha comigo onde quer que eu vá.”

Com rotina intensa e fuso horário de 13 horas de diferença, ela mantém contato constante com a família e amigos no Brasil, mas diz não ter planos de retornar definitivamente. “Não pretendo voltar a morar no Brasil, mas minhas raízes estão aí, sempre estarão.”

Uma mensagem para quem sonha alto

Com humildade e gratidão, Josy resume sua trajetória como uma missão de fé. “Tudo posso naquele que me fortalece. Vindo de uma cidade pequena, eu aprendi que os sonhos não têm fronteiras. O segredo é ser honesto, respeitar as pessoas, manter os valores e acreditar em Deus.”

E deixa um recado especial para os jovens de Serrinha:

“Sejam íntegros e conquistarão o mundo! A integridade é a chave para grandes conquistas. Não vendam seus princípios. Acreditem em vocês e nunca percam a fé. Somos capazes!”

Hoje, a serrinhense que um dia sonhou em “ser banquista” é símbolo de orgulho e inspiração para toda a região sisaleira, uma mulher que carrega no peito o amor por Deus, pela família e por Serrinha, e que, com disciplina e coragem, levou o nome da sua terra natal até o outro lado do mundo.

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