7 de março de 2026 | REGIÃO DO SISAL

Em audios e mensagens descobertos pela PF, Malafaia orienta Bolsonaro a falar em sanções para ter anistia e ataca Eduardo por causa de tarifaço

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Um áudio de uma conversa entre o pastor Silas Malafaia e o ex-presidente Jair Bolsonaro presentes no relatório da Polícia Federal (PF) — que embasa o indiciamento contra Bolsonaro e seu filho — mostram o evangélico o orientando para um discurso contra a penalização de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e suas famílias pelas medidas de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

A orientação em desfavor das tarifas era colocado como contraponto para pressionar a conquista da anistia pelos atos de 8 de janeiro.

As conversas de julho deste ano foram obtidas pela PF pela apreensão do celular do ex-presidente, e ocorrem após o presidente dos Estados Unidos anunciar taxas aos produtos brasileiros por suposto risco à democracia e Bolsonaro ser alvo de medidas cautelares que o proibiam de discursar contra instituições dos poderes.

Silas Malafaia diz a Bolsonaro: 

“Você não vai xingar STF, você não vai esculhambar Alexandre de Moraes, mas você pode se colocar sim (e deve):

‘Olha gente, a questão da tarifa do Donald Trump não tem a ver com a economia, tem a ver com liberdade, de Justiça.

Eu não quero ver retaliações sobre ministros do STF e suas famílias.

Eu não quero ver isso! É só resolver a questão da anistia que isso acaba!'” 

O pastor ainda afirma que, com esse discurso, Bolsonaro sairia como “bacana”:

“Nós não queremos ver Donald Trump com sanções sobre ministros e suas famílias”, exemplifica a fala: “Tu vai ficar bonito, dando uma de bacana ainda”, afirma.

O relatório aponta que Silas atua como ajudante em estratégias de definição de estratégias de coação e de fusão de narrativas inverídicas para coagir a cúpula do Poder Judiciário.

Silas Malafaia continua dizendo a Bolsonaro: 

“Você como estadista tem que dizer: 

‘eu não quero ver tirar de Lula. A questão não é econômica a questão a liberdade, de justiça contra essas pessoas presas essa injustiça contra mim esse golpe que não existiu’. 

Esse é seu discurso presidente!”

O líder religioso compara seu impacto de fala a de Bolsonaro. Silas afirma que se ele é “um”, o ex-presidente é “mil”: “Esse é o discurso… é teu não é meu não. Tu quer comparar minha voz com a tua? Dizer que você não tem que falar? Não não faz isso comigo não, queridão.”

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que decretou medidas cautelares contra o pastor Silas Malafaia, traz mensagens (pelo aplicativo whatsapp) do religioso ao ex-presidente Jair Bolsonaro com críticas ao filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro após os Estados Unidos anunciarem a imposição de tarifas de 50% aos produtos brasileiros.  

Malafaia, ao atacar estratégias de Eduardo – que vive nos EUA, xingou o deputado federal.

“(…) vem teu filho babaca falar merda! Dando discurso nacionalista que eu sei que você não é a favor disso. Dei-lhe um esporro, cara… mandei um áudio a ele de arrombar. E disse para ele: a próxima que tu fizer, eu faço um vídeo e te arrebento”, disse.

O pastor afirmou ainda para Bolsonaro que havia amadorismo por parte deles.

“Finalidade explícita”

Segundo o ministro Alexandre de Moraes, na decisão publicada, os diálogos entre Malafaia e o ex-presidente têm como finalidade explícita de obtenção da anistia em troca do fim das sanções tarifárias impostas pelo governo de Donald Trump aos produtos brasileiros.

O ministro, de posse da investigação da PF e da posição da Procuradoria-Geral da República, considerou que o pastor teve um papel de orientador das ações do ex-presidente e do deputado.

Apreensão

O ministro Alexandre de Moraes determinou nesta quarta-feira (20) a busca e apreensão contra o pastor Silas Malafaia, um dos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com a Polícia Federal (PF), o pastor teve o celular apreendido quando estava no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. 

Pela decisão de Moraes, Malafaia está proibido de se ausentar do país e teve o cancelamento de passaportes. Ele deve entregar esses documentos em 24 horas.

O pastor ainda está impedido de se comunicar com os demais investigados nas ações penais relacionadas à suposta tentativa de golpe de Estado.

CNN e Agência Brasil