7 de março de 2026 | REGIÃO DO SISAL

Festival Literário do Sertão Baiano celebra os falares do sertão com arte, memória e resistência; Produções da região sisaleira se destacam na programação

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Com sede no coração da Bahia, no município de Água Fria, o Festival Literário do Sertão Baiano – FLISB 2025, tem consolidado seu lugar como uma das maiores celebrações da cultura sertaneja. Com o tema “Os falares do nosso sertão”, o evento que é realizado pela Casa de Cultura, Esporte e Cidadania Dona Joana, promove encontros entre literatura, oralidade, memória, arte popular, cinema e educação antirracista, valorizando os saberes ancestrais e o protagonismo dos territórios do semiárido baiano.

A programação do FLISB, que ocorre de abril a agosto, é resultado de uma articulação entre a Fundação Pedro Calmon (SECULT/BA), Secretaria de Educação da Bahia e diversas lideranças comunitárias. O evento busca democratizar o acesso à leitura e à produção literária, além de fortalecer as redes culturais do Portal do Sertão.

Entre os destaques está a Caravana Vozes Literárias, conduzida pelo poeta Atanael Barros, que percorreu escolas de Irará, Santanópolis, Antônio Cardoso e Feira de Santana. Com performances poéticas e escuta ativa, a caravana conectou estudantes e educadores à potência da literatura como expressão do território.

O cinema também é protagonista na programação. Com produções da região sisaleira e temáticas ligadas à identidade do povo sertanejo, os filmes exibidos valorizam a memória coletiva e os modos de vida tradicionais. Em Biritinga, o documentário “Vaqueiro: suas raízes, histórias e belezas” de Leina Marques mostra a resistência e beleza da figura emblemática do vaqueiro nordestino. Já de Araci, o filme “O samba e o pífano” traz o som ancestral que embala o sertão.

Outros destaques vêm de Água Fria, com filmes como “Mulheres de Palha”, “Os Feras do Pandeiro”, “Cheiro de Gado” e “D. Joana: seus ternos e danças”, que contam as histórias invisibilizadas, as musicalidades e os afetos da comunidade.

O FLISB também promove formação com o Curso Livre de Multiplicadores da Leitura, que capacitou 47 mediadores para atuação em escolas e comunidades com foco na leitura como prática cultural transformadora. Além disso, o Prêmio Atanael Barros homenageia escritores(as), professores(as), estudantes e agentes da leitura que contribuem para o fortalecimento da identidade regional e da literatura como resistência.

O festival reverencia nomes como Mestre Bule Bule, maior repentista da Bahia, condecorado com prêmios nacionais e autor de obras fundamentais da cultura popular nordestina. E celebra também Del Feliz, cantor e embaixador do forró, que atua em nível internacional pela valorização da música nordestina como patrimônio imaterial da humanidade.

Outro destaque é a ampla participação de mulheres negras, quilombolas, educadoras, lideranças de terreiro e pesquisadoras. De Biritinga, Valdicea Leão, doutora em educação e diretora da Escola Dom Bosco, levou sua experiência em educação quilombola para o festival. Diversos outros nomes também contribuíram com rodas de conversa, oficinas e intervenções que reafirmam o compromisso do FLISB com a diversidade, a representatividade e a ancestralidade.

A exposição “Ademar Araújo: o homem que inventava”, do Museu Casa do Sertão (UEFS), apresentou obras e acervos do saudoso agitador cultural, incluindo xilogravuras, cordéis, brinquedos e documentos audiovisuais.

Durante o festival, também foram realizados lançamentos de livros de autores e autoras de vários territórios, fortalecendo a literatura como ferramenta de memória e transformação social.

O FLISB foi contemplada no Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (nº 01/2024), por meio do Programa Bahia Literária, com apoio do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria da Educação e da Secretaria de Cultura, via Fundação Pedro Calmon.

O edital integra a política de fomento à execução de ações culturais, conforme o Decreto Federal nº 11.453/2023, a Política Estadual de Cultura (Lei nº 12.365/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei nº 13.193/2014), o Plano Estadual de Educação da Bahia (Lei nº 13.559/2016) e a Lei Federal nº 14.133/2021. O projeto conta ainda com apoio cultural do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado à Secretaria da Educação do Estado da Bahia, por meio da Rádio Educadora FM e da TVE Bahia.