Em entrevista concedida nesta quinta-feira (17), o prefeito de Biritinga fez uma declaração impactante que repercutiu entre moradores da zona rural: “as estradas estão um verdadeiro caos”, admitiu o gestor ao comentar a situação das vias que ligam as comunidades do município. A fala veio acompanhada de um apelo por compreensão diante do volume histórico de chuvas na região.
“São mais de 60 dias de chuva intensa. Não é por falta de atenção da gestão, nem da Secretaria de Infraestrutura. O problema é o volume de água. Não temos estrutura suficiente para suportar isso tudo”, declarou o prefeito.
Apesar das condições precárias, o gestor garantiu que nenhuma estrada está interditada e que não houve paralisação de serviços essenciais, como o transporte escolar. Ele ainda ressaltou que intervenções vêm sendo feitas, mesmo durante o período chuvoso, embora muitas delas não resistam às enxurradas e acabem agravando a situação em determinados pontos.
“Infelizmente, em alguns lugares onde a gente faz intervenções, logo em seguida piora, porque não dá tempo para a compactação da matéria-prima. Vira um lameiro”, explicou.
O prefeito concluiu dizendo que, passado o período mais crítico das chuvas, as equipes irão intensificar os trabalhos de recuperação para devolver a normalidade às estradas do município.
Conflito com a Embasa: contrato vencido e falta de água geram impasse em Biritinga
Durante a mesma entrevista, o prefeito de Biritinga também abordou um tema que vem gerando revolta entre os moradores: a crise no abastecimento de água. Segundo o gestor, o contrato de concessão entre o município e a Embasa está vencido há anos, o que tem dificultado o diálogo e a exigência de melhorias no serviço.
“A Embasa continua explorando o nosso lençol freático, enquanto o povo de Biritinga sofre com falta d’água e saneamento precário. Não temos nenhum interesse em romper com a Embasa, mas exigimos respeito com nossa comunidade”, disse.
O prefeito destacou que, apesar de Biritinga ser um dos principais polos de fornecimento de água para municípios como Serrinha, Lamarão, Barrocas e Retirolândia, a cidade segue enfrentando graves impactos ambientais e sociais causados pela exploração do recurso.
“A proposta da Embasa empurra investimentos para 2029, 2032. Isso é inaceitável. Nosso problema é agora. Quem mora no esgoto hoje vai esperar mais cinco anos?”, questionou, ao cobrar ações emergenciais e um novo modelo de concessão mais justo para o município.
Capital da água, mas sem saneamento básico
Mesmo com um dos maiores lençóis freáticos da Bahia e sendo responsável por abastecer diversas cidades vizinhas, Biritinga convive com uma realidade contraditória: a precariedade no saneamento básico. Segundo o prefeito, a cidade apresenta um dos piores índices do estado nesse quesito.
“O índice de desenvolvimento humano (IDH) da cidade está diretamente ligado à ausência de saneamento. É inadmissível que, enquanto fornecemos água para fora, nosso povo esteja morando em meio ao esgoto”, denunciou o prefeito.
Além da falta de estrutura, o gestor aponta omissão do governo estadual em investir de forma prioritária nos municípios produtores de água. “Falta um olhar diferenciado para essas cidades. Biritinga sustenta a região com sua água, mas vive esquecida na hora do investimento.”