7 de março de 2026 | REGIÃO DO SISAL

Eleições internas do PT mobilizam militância na região sisaleira; Serrinha expõe racha com disputa local

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O domingo, 6 de julho, foi marcado por intensa movimentação entre os filiados do Partido dos Trabalhadores (PT) em todo o Brasil. A sigla realizou mais uma edição do Processo de Eleições Diretas (PED) 2025, momento em que os filiados escolhem, por voto direto e secreto, os novos dirigentes municipais, estaduais e nacionais. As urnas funcionaram das 9h às 17h em centenas de municípios, com votação também no exterior.

Serrinha foi palco de disputas acirradas e que revelam os rumos e desafios enfrentados pela legenda no interior baiano, onde o PT tem história de protagonismo político, mas enfrenta atualmente divisões internas.

A disputa pela direção do partido expôs feridas abertas desde as últimas eleições municipais, quando parte do partido apoiou o então candidato e deputado licenciado Osni Cardoso, enquanto outro grupo se distanciou, liderado por aliados do atual Presidente da sigla, Sandro Magalhães, no fim ambos se uniram em prol da consolidação partidária, porém algumas fissuras permaneceram nos últimos meses.

O PED 2025 refletiu esse racha interno. Dois campos polarizaram a eleição: de um lado, a Chapa União, encabeçada por Shodan, com apoio do grupo ligado ao deputado Osni; de outro, a Chapa Renova, liderada por Gelcivânia (Vânia), que reúne militantes alinhados ao grupo de Sandro Magalhães.

Com 591 votos contabilizados, o resultado final confirmou a vitória do grupo de Shodan:

  • Shodan: 340 votos (61,37%)
  • Vânia: 214 votos (38,63%)

Nas chapas:

  • Chapa União: 324 votos (60,90%)
  • Chapa Renova: 208 votos (39,10%)

Apesar da vitória, o clima é de alerta. A disputa deixou claro que o PT serrinhense está dividido. “Não se pode ignorar que quando o PT pensava diferente, mas agia junto, elegeu duas vezes o prefeito e já acumulou 15 mandatos de vereador. Hoje, tem apenas um vice-prefeito e um vereador”, comentou um militante local.

Após a confirmação da vitória, Josenildo Shodan agradeceu aos filiados e destacou o papel da militância na conquista. “Obrigado, companheiras e companheiros! Com o coração cheio de gratidão, celebro com vocês essa grande vitória! Essa vitória não é minha, é nossa, da base, da luta coletiva, da esperança que se renova. Seguimos juntos, com coragem, escuta e compromisso!”, declarou.

Gelcivânia, após o resultado, publicou uma mensagem de agradecimento reforçando a necessidade de escuta, respeito às diferenças e compromisso com a construção de um PT democrático e plural. “Fizemos uma campanha leve, afetuosa e com propostas. Mostramos que é possível disputar com ética. Seguiremos na luta”, afirmou. Ela também desejou sucesso ao novo presidente municipal: “Que Shodan seja capaz de mobilizar e unir a militância em prol de uma gestão democrática”.

O que está em jogo

O PED é um dos diferenciais históricos do PT, que mantém a tradição de eleições diretas para a escolha de suas lideranças. No entanto, em muitos municípios, como demonstrado em Serrinha, o processo tem revelado não apenas a força da militância, mas também tensões políticas locais que podem influenciar os rumos da legenda nas eleições de 2026.

Além da escolha das presidências, foram eleitos também os membros das direções municipais, zonais, estaduais e nacional, além das comissões de ética e conselhos fiscais. A contagem dos votos foi iniciada ainda no domingo, e os diretórios municipais tiveram até segunda-feira (7) às 14h para enviar os resultados oficiais ao sistema nacional.

Unidade ou fragmentação?

Enquanto em Biritinga, outra cidade da região sisaleira com representatividade petista, o PED serviu para reforçar a coesão interna com eleição unânime de chapa única, em Serrinha o processo escancarou um partido dividido. A pergunta que fica é: haverá tempo e disposição política para reconstruir a unidade antes das eleições de 2026?

A resposta virá nas ruas, nas urnas, sobretudo, nos debates internos da legenda, que precisa conciliar a sua história de luta com os desafios de um novo cenário político.

“A verdadeira vitória não é apenas alcançar o sucesso, mas sim transformar a si mesmo e o mundo ao redor através do conhecimento e da ação consciente”, citou Gelcivânia, evocando Paulo Freire para lembrar que o processo democrático do PT vai além dos números.

Esfera estadual

Presidente Estadual
310- 1,7% com 714 votos
320- 1,04% com 439 votos
340- 71,59% com 30.149 votos
370- 0,54% com 227 votos
380- 25,13% com 10.585 votos
Válidos = 42.114 votos

Chapa Estadual
410- 2,47% com 1.005 votos
440- 51,58% com 20.947 votos
480- 23,67% com 9.613 votos
490- 22,28% com 9.048 votos
Válidos = 41.535

Chapa Estadual 51,58% 20.947 votos

Como informado no site oficial do PT Bahia, o processo de apuração pela Executiva Estadual se encerrou nesta segunda-feira (7), às 20 horas, e já é oficial

Com mais de 73 % dos votos, o dirigente Tássio Brito foi eleito o novo presidente do PT Bahia nesta segunda-feira (07), após a realização do Processo de Eleição Direta (PED), que ocorreu neste domingo (06) em todo o Brasil. Tássio assume oficialmente a presidência da legenda em setembro, quando termina o mandato de seis anos do atual dirigente, Éden Valadares. Na Executiva Estadual do dia 11 de julho será divulgada a contabilização dos percentuais das chapas ao Diretório Estadual.

Na sede do PT, o presidente eleito agradeceu a todo apoio da militância, das lideranças políticas, às 10 correntes políticas que se uniram em torno do seu nome, dos movimentos sociais e de todos aqueles que acreditaram na sua candidatura, além dos outros candidatos – Jonas Paulo e Elen Coutinho, Gabriel Cavalcante, Rodrigo Riela e Rdrigo Pereira. Tássio também agradeceu ao atual presidente Éden Valadares e ao senador Jaques Wagner, que o apoiou. Estiveram presentes no anúncio os secretários de Estado Rowenna Brito e Osni Cardoso e os deputados federais Valmir Assunção e Jorge Solla.

“O nosso desafio é muito grande de estar perto e conectado com cada cidade do PT na Bahia. Eu sei todos os lugares que percorri, sei tudo que falei, sei o olhar de vocês para mim, a esperança que vocês depositaram nessa nossa candidatura, sei a responsabilidade que é dirigir esse partido, que não é simplesmente uma sigla. Esse partido é um instrumento que organiza o sonho dos trabalhadores e das trabalhadoras e essa será a tarefa mais honrosa que já tive na minha vida, na política e eu vou me dedicar dia e noite a cumpri-la da melhor forma possível“, disse Tássio, ao reafirmar a importância das reeleições do governador Jerônimo Rodrigues e do presidente Lula.

O presidente Éden Valadares, por sua vez, parabenizou a todos pela maior eleição do PED do PT Bahia, com mais de 40 mil filiados que participaram do processo eleitoral, e desejou muito boa sorte a Tássio no novo desafio. “Que partido no Brasil faz um processo de mobilização de toda a sua base de filiados para eleger diretamente suas direções municipais, estaduais e nacional? Somente o PT. Devemos isso à força da nossa militância. Depois de dois dias aqui de intenso trabalho da nossa Comissão Organizadora Eleitoral, apuramos os votos na Bahia toda: uma votação recorde“, festejou.

Secretário de Organização do Diretório Estadual, Osmar Galdino destacou o empenho de todos os petistas que fizeram do PED 2025 um processo histórico da legenda no estado. “Primeiro, parabenizar todos os dirigentes municipais que mobilizaram esse grande PED, que foram às urnas, democraticamente, fazer essa grande festa do processo interno de eleição direta do Partido dos Trabalhadores da Bahia“, disse Jojó, que acrescentou: Vamos continuar governando o Brasil e a Bahia melhorando a vida de cada povo aqui no estado e no país. Viva o Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras! “.

Tássio Brito é um jovem negro cuja trajetória reflete a força do PT em cada canto da Bahia. No movimento estudantil, foi dirigente da União Nacional das e dos Estudantes, com uma atuação marcante junto ao MST. Sua militância e modelo de gestão o conduziram à direção da Juventude do PT e, posteriormente, à posição de Dirigente Estadual do PT Bahia. Tássio coordenou, junto com outros petistas, a campanha vitoriosa de Jerônimo Rodrigues e mantém forte articulação com todas as esferas do partido e das lutas populares. Sua biografia sintetiza renovação com experiência, militância de base com capacidade política, mostrando o caminho para um PT mais unido e transformador.

Esfera nacional

Presidente Nacional
120- 1,98% com 843 votos
130- 16,99% com 7.227 votos
150- 10,83% com 4.608 votos
180- 70,20% com 29.860 votos
Válidos = 42.538 votos

Chapa Nacional
200- 23,27% com 9.664 votos
210- 1,79% com 745 votos
220- 1,02% com 422 votos
250- 9,78% com 4.061 votos
270- 25,08% com 10.419 votos
280- 29,49% com 12.247 votos
290- 7,88% com 3.274 votos
299- 1,69% com 703 votos
Válidos = 41.535

Segundo noticiado pela CNN Brasil, o ex-prefeito de Araraquara (SP) Edinho Silva foi eleito, nesta segunda-feira (7), o novo presidente nacional do PT (Partido dos Trabalhadores).

O resultado foi proclamado mesmo com a indefinição sobre o pleito no diretório de Minas Gerais, que havia sido judicializado. A segunda instância do TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios) derrubou uma liminar nesta segunda e permitiu que a eleição no estado seja feita.

Edinho tinha apoiado velado do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ele pertence à CNB (Construindo Um Novo Brasil), corrente majoritária do PT, e substitui o senador Humberto Costa (PT-PE) no comando do partido. Costa, por sua vez, estava como interino após Gleisi Hoffmann deixar a presidência da sigla para assumir a Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula.

Na eleição, superou o deputado federal Rui Falcão (SP), da corrente Novo Rumo; Valter Pomar, da Articulação de Esquerda; e Romênio Pereira, do Movimento PT.

Edinho já foi presidente do PT entre 2009 e 2013, eleito com mais de 90% dos votos entre os filiados. Além disso, foi deputado estadual por São Paulo de 2011 a 2015 e coordenou a campanha presidencial de Lula em 2022.

Foi prefeito de Araraquara por quatro mandatos, entre 2001 e 2008 e de 2017 a 2024.

Ainda esteve como Secretaria de Comunicação Social (Secom) no governo da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT).

É graduado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara, com mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).