Após o ataque, a mulher aparece no vídeo falando ao celular. Rapidamente, o atirador volta ao estabelecimento dispara mais vezes contra Matheus, que já não apresenta sinais de vida.
Na manhã seguinte, menos de 24 horas após o assassinato de Matheus, a jovem foi encontrada morta e esquartejada. A principal linha de investigação é de que o crime tenha sido motivado por um ato de vingança vindo de integrantes do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), aliado do Comando Vermelho (CV).
A suspeita é de que Anna teria denunciado o paradeiro do parceiro para rivais do Bonde do Maluco (BDM), facção à qual estaria migrando, segundo informações do portal Metrópoles.
Matheus e Anna Luiza não mantinham um relacionamento fixo e estavam se envolvendo há cerca de uma semana, desde que ele saiu do sistema prisional. O corpo da jovem foi encontrado na quarta (25) às margens de uma estrada de terra no bairro Delta Park, próximo à BR-367.
Desabafo da mãe
A mãe de Anna, identificada como Lih Lima, se manifestou nas redes sociais após a tragédia. Em um desabafo, ela atribuiu a morte da filha às escolhas dela. “O que aconteceu com minha filha é fruto de desobediência. Fruto da rebeldia, de achar que é dona do mundo. Eu já tinha conversado com ela que se isso acontecesse a gente ia sofrer, mas a vida ia seguir. É um caminho que ela escolheu”.
Lih também declarou que não vai buscar justiça: “Não acredito na justiça dos homens. Saber quem matou não vai mudar nada na minha vida”.
CV na mira
O suspeito de executar Matheus já foi identificado pela polícia e é investigado por envolvimento na morte de rivais do BDM em Eunápolis. O nome dele segue em sigilo para não atrapalhar as apurações. Já o caso de Anna Luiza ainda está sob investigação da 1ª Delegacia Territorial (DT/Eunápolis), sem autoria confirmada até o momento.
A jovem identificada tinha envolvimento com o tráfico de drogas na cidade. De acordo com relatório da polícia, que a reportagem teve acesso, Anna tinha um papel de divulgação, usando suas redes sociais para a venda de entorpecentes.
“A vítima mantinha envolvimento com o tráfico ilícito de entorpecentes e utilizava suas redes sociais – no Instagram e no Facebook – para realizar transmissões ao vivo promovendo a venda de drogas. Há também indícios de vinculação da vítima à facção criminosa”, aponta a investigação. Não há, no entanto, detalhes sobre a que grupo criminoso Anna estava relacionada.
O relatório confirma, porém, que o sequestro e a execução bárbara da jovem se deram como retaliação por conta da morte de Matheus Rodrigues de Souza, 24, em um estabelecimento comercial na última segunda-feira (23). Segundo a polícia, no dia seguinte ao crime, ela foi capturada por traficantes para dar explicações sobre a forma que o crime ocorreu.
“As investigações revelaram que Anna Luiza mantinha convivência direta com o executado. Circulam vídeos mostrando a vítima se aproximando de Matheus e recolhendo o celular dele, gesto que pode ter motivado represálias por parte de criminosos. Ainda mais levando a crer que Anna Luiza teria orientado o executor de Matheus o local e horário em que este estaria para ser morto”, diz o relatório.
Segundo informações de policiais, ela não permaneceu na cena do crime após o ataque. O caso foi registrado por volta das 23h de segunda-feira (23), na Rua Professor Nilton Souza Alves, no bairro Dr. Gusmão. Os dois casos foram registrados na Polícia Civil e vão ser investigados pela Delegacia Territorial de Eunápolis (1ª DT).
Fonte: Correio da Bahia e Jornal Massa