A recente decisão da Liga Coiteense de Futebol, comunicada por meio do Ofício nº 055/2025, gerou forte repercussão e indignação entre os torcedores e comunicadores esportivos da região. O documento proíbe a transmissão ao vivo dos jogos do Campeonato Coiteense 2025 por qualquer veículo de mídia, incluindo a tradicional Equipe Tá na Rua, alegando que a medida visa conter a queda de público nos estádios.
A justificativa da Liga baseia-se em relatos de clubes que atribuem o esvaziamento das arquibancadas à facilidade de acesso às transmissões ao vivo. Contudo, mesmo após a aplicação da proibição, a realidade nos jogos permanece a mesma: arquibancadas vazias, clima morno e presença popular aquém do esperado. A decisão, ao que tudo indica, falha em seu principal objetivo.
A medida soa autoritária e desconsidera a realidade de milhares de torcedores que, por motivos diversos, como distância, limitações físicas, financeiras ou de tempo, não conseguem estar presencialmente nos estádios. Ao invés de dialogar com a sociedade e investir em iniciativas para atrair o público, como ações culturais, sorteios, preços populares e campanhas promocionais, a Liga optou por silenciar os meios de comunicação independentes que sempre ajudaram a manter o campeonato vivo na memória da população.
As equipes de imprensa que realizam a cobertura dos jogos de forma popular e acessível, ainda poderam registrar as imagens das partidas, desde que só publiquem os conteúdos apenas duas horas após o apito final, uma regra que praticamente elimina o apelo do conteúdo nas redes, e ignora a lógica de consumo de informação em tempo real que define a era digital, quase como uma sensura velada.
Ao cortar o acesso da população à principal forma de acompanhar os jogos, a Liga Coiteense não apenas exclui os torcedores mais distantes, mas também enfraquece a própria relevância do campeonato. O futebol é um patrimônio cultural que deve ser partilhado, e não restrito por decisões unilaterais que desconsideram o bem coletivo.
A esperança agora é que haja bom senso e abertura ao diálogo para reverter essa medida que, ao invés de reaproximar o público dos estádios, apenas o afasta ainda mais do que deveria ser de todos: o espetáculo do futebol local.
