Quando o mês de junho chega, o interior da Bahia se transforma em um verdadeiro estado de espírito. Mais do que uma festa, o São João é resistência, identidade e celebração da cultura popular. Praticamente todo nordestino aguarda ansiosamente pelos festejos juninos. E, nesse cenário encantador, os blocos tradicionais desempenham um papel fundamental na manutenção dos laços comunitários e na valorização das raízes nordestinas.

Entre zabumbas, sanfonas e paredões, os blocos se espalham pelos quatro cantos, invadem os terreiros e tomam conta das praças com alegria contagiante. Um dos grandes destaques desse movimento cultural é o Bloco das Atrevidas, que chega à sua 12ª edição com fôlego renovado e o mesmo propósito que o viu nascer: dar visibilidade, protagonismo e liberdade às mulheres durante os festejos juninos.
Idealizado e organizado por Edna Luz, Anne Eveline e Deane Brito, o Bloco das Atrevidas originário de Biritinga-BA, localizada na região sisaleira, é mais do que uma brincadeira junina — é um grito de liberdade feminina embalado ao som do forró. A cada edição, novas mulheres se juntam ao cortejo – inclusive de outras cidades – reforçando a rede de afeto e pertencimento que torna o bloco uma referência não apenas no município, mas em toda a região.

Recentemente, o Bloco sofreu uma perda muito dolorosa: uma das fundadoras do grupo partiu, deixando em luto não apenas as participantes, mas todos os biritinguenses. A saudosa Elba era muito querida por todos e mantinha um profundo carinho e dedicação na organização do evento. Apesar de cogitarem o fim do cordão, as organizadoras resolveram continuar com as edições e sempre prestam homenagens, reconhecendo que graças a ela, o grupo permanece unido após mais de uma década.
Enquanto muitos olham para os grandes palcos e artistas consagrados, são blocos como esse que mantêm o espírito comunitário e a autenticidade do São João nordestino. Eles resgatam tradições, criam novos vínculos e garantem que, ano após ano, a festa continue sendo feita pelo povo e para o povo.
Em Biritinga, o São João se vive na pele — e, com certeza, se dança com coragem, ousadia e muita alegria, como fazem as Atrevidas. Viva o São João, viva a cultura popular!

Redação Massapê